O dólar à vista encerrou a sessão em leve alta nesta terça-feira, em meio ao enfraquecimento adicional dos preços do petróleo e a um ajuste na percepção global de risco por causa de uma expectativa por avanços nas tratativas entre Estados Unidos e Irã por um acordo de paz. Se o menor risco beneficiou ativos como moedas de mercados emergentes, a desvalorização do petróleo tirou o suporte do real, que se tornou uma das divisas com pior desempenho entre as 33 mais líquidas.
Terminadas as negociações desta terça-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,20%, cotado a R$ 5,1216, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,1097 e batido na máxima de R$ 5,1297. Já o euro comercial exibiu apreciação de 0,35%, negociado a R$ 5,8320. Perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,13%, aos 101,407 pontos. Já o real apresentava, perto do fechamento, o segundo pior desempenho entre as moedas mais líquidas, melhor apenas que o rublo russo.
Na abertura e nas primeiras horas de negociações, o dólar operou em leve alta, com dificuldade de conseguir maior magnitude frente ao real. Perto das 12h, a divisa americana perdeu a pouca força que apresentava em meio a relatos de que EUA e Irã podem estar avançando nas negociações por um acordo semelhante ao que se tinha antes do recente rompimento e ataques. Ao longo da tarde, porém, o dólar voltou a recuperar terreno.
Para além do vaivém dos preços por conta do imbróglio no Oriente Médio, a dinâmica do nível do dólar frente ao real também deve ser marcada daqui para frente pela sazonalidade. O banco Wells Fargo afirma, em nota, que a sazonalidade dos próximos meses é desfavorável para as moedas latino-americanas. “As cinco principais moedas da região se desvalorizaram, em média, cerca de 1,4% entre agosto e setembro ao longo dos últimos 15 anos (excluindo 2020). Esses meses figuram de forma bastante consistente entre os mais fracos para muitas dessas moedas, e o efeito médio é ainda maior quando se exclui o sol peruano (PEN), devido à sua menor sensibilidade às oscilações do mercado (beta mais baixo)”, diz o estrategista Alvaro Vivanco, em nota.
Segundo Vivanco, depois de o banco adotar visão otimista para as moedas latino-americanas ligadas a commodities durante a alta inicial do petróleo em março e abril, passou a ter uma postura mais defensiva diante da combinação de condições financeiras globais mais restritivas e da deterioração dos fundamentos domésticos. “No início de junho, encerramos as posições compradas remanescentes na região, revisamos para cima nossas projeções para o dólar na América Latina e apresentamos os argumentos para uma pressão persistente sobre as moedas regionais”, aponta.
O estrategista afirma que o efeito sazonal não decorre de uma valorização generalizada do dólar, mas se trata de um movimento mais idiossincrático de aversão ao risco (risk-off), no qual o real e o peso mexicano tradicionalmente lideram as perdas. “Não há um gatilho específico comum a todos os países, mas os ativos de maior risco tendem a enfraquecer em setembro. Além disso, parte da repatriação de dividendos costuma se concentrar nesse período, enquanto os déficits em conta corrente aumentam na segunda metade do ano.”