A mudança cultural rumo a uma maior participação dos pais nos cuidados com os filhos pode estar em curso, mas a resistência deles em assumir o papel pode estar contribuindo até para as baixas taxas de natalidade em diversos países, sugere a mais recente pesquisa da economista americana Claudia Goldin, professora da Universidade Harvard e vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2023.
Considerada a maior especialista do mundo em questões de gênero no trabalho, a economista atribui pouco peso à licença-paternidade para tirar os homens do papel tradicional, como frisa em rápida troca de mensagens com O GLOBO.
As conclusões da pesquisa de Goldin foram publicadas mês passado pelo NBER, o prestigiado centro de pesquisa em economia americano, quase um ano após uma apresentação no Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole de 2025, evento anual que reúne economistas, ministros e banqueiros centrais de todo o mundo na cidade do estado de Wyoming, nos EUA.
Goldin se notabilizou ao comprovar, com base na análise de séries de dados históricos, como a possibilidade de controlar o momento de ter filhos, oferecida pela difusão da pílula anticoncepcional na década de 1970, acelerou a entrada das mulheres no mercado de trabalho. E, depois, como a maternidade pesa sobre a carreira delas, resultando em salários mais baixos do que os dos homens, mesmo com habilidades e escolaridade superiores.