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terça-feira, agosto 11, 2026

Novo Estudo Relaciona Estilo de Vida e Risco de Câncer em Adultos Jovens

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Recentemente, um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que o diagnóstico em pessoas com menos de 50 anos cresceu 79,1% nas últimas três décadas.

Um novo estudo internacional buscou avaliar a relação entre fatores de estilo de vida e o risco de desenvolvimento de “cânceres de início precoce” (early-onset cancers, em iglês), definidos como aqueles diagnosticados antes das cinco décadas de vida.

Publicado a partir da análise de grandes bases populacionais, o trabalho avaliou dados de mais de 260 mil indivíduos. Os pesquisadores investigaram a associação entre cinco fatores modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, índice de massa corporal (IMC), atividade física e alimentação, e o risco de diferentes tipos de câncer relacionados ao estilo de vida, incluindo tumores de mama, pulmão, colorretal, estômago, fígado, colo do útero, esôfago e bexiga.

Durante o acompanhamento, foram identificados 361 casos de câncer de início precoce relacionados ao estilo de vida entre os homens e 2.618 entre as mulheres, incluindo 1.765 casos de câncer de mama (vale destacar que havia um número maior de mulheres analisadas).

Os resultados indicaram que alguns hábitos estiveram associados a uma redução do risco de câncer em adultos jovens. Entre os homens, uma menor exposição ao tabagismo esteve relacionada a menos risco de cânceres de início precoce relacionados ao estilo de vida.

Entre as mulheres, menor consumo de cigarro, menor índice de massa corporal e maior nível de atividade física também foram associados a uma redução do risco. No caso do câncer de mama, especificamente, a atividade física foi o único fator que apresentou associação estatisticamente significativa. O estudo não identificou associação entre consumo de álcool e alimentação.

Segundo os pesquisadores, os achados reforçam a importância da adoção de hábitos saudáveis desde as primeiras fases da vida como uma estratégia para reduzir o risco de câncer antes dos 50 anos.

O cenário brasileiro

A preocupação com o crescimento dos casos de câncer em adultos jovens também está presente no Brasil. No início deste ano, a Revista Brasileira de Cancerologia, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), publicou um estudo que avaliou a incidência e a mortalidade por câncer em adultos jovens de 20 a 39 anos no município de São Paulo e na Região de Barretos (SP).

O trabalho analisou dados de incidência entre 2002 e 2018 e de mortalidade entre 2000 e 2020. Os resultados mostraram que, entre os homens jovens, os tipos de câncer mais frequentes associados às mortes foram leucemias, tumores do sistema nervoso central e câncer colorretal. Entre as mulheres, destacaram-se o câncer de mama, câncer do colo do útero e câncer colorretal. São dados que podem indicar ações de prevenção e estratégia de rastreamento.

No ano passado, o Observatório de Oncologia também atualizou uma análise sobre as tendências de incidência e mortalidade dos principais tipos de câncer no Brasil, comparando pessoas de 20 a 49 anos e aquelas com 50 anos ou mais, entre 1996 e 2019.

O levantamento identificou aumento das taxas de incidência na população mais jovem para alguns tipos de câncer, incluindo: cólon e reto, neoplasias malignas da pele, mama feminina, próstata e tireoide.
Os dados nacionais e internacionais apontam para uma mesma direção: o câncer em adultos jovens, embora ainda represente uma parcela menor do total de casos, merece atenção crescente.

A ciência busca compreender os diferentes fatores envolvidos nesse cenário, que incluem aspectos genéticos, ambientais, sociais e comportamentais. Entre esses fatores, os hábitos de vida ganham destaque por representarem uma oportunidade de prevenção.

Isso não significa que o câncer possa ser explicado por uma única causa ou evitado em todos os casos, mas reforça a importância de estratégias de promoção da saúde desde cedo, com estímulo à atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso, combate ao tabagismo e redução de outros fatores de risco conhecidos.

Cuidar da saúde desde cedo é uma das escolhas que podem transformar o futuro do controle do câncer.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

[Fonte Original]

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