O rebaixamento da recomendação para o Brasil pelo J.P Morgan, de “overweight” (equivalente à compra) para neutra, foi mencionado como o gatilho principal para o tombo do Ibovespa nesta terça-feira. Segundo gestores e estrategistas, a mudança na recomendação do banco desencadeou uma venda massiva de investidores estrangeiros, o que fez o mercado perder níveis considerados importantes, com o EWZ (principal fundo de índice de ações brasileiras em Nova York) voltando a negociar abaixo da média móvel de 200 dias e saindo da tendência de alta.
Além disso, a divulgação da pesquisa CNT/MDA mostrando o aumento da distância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação a Flávio Bolsonaro (PL) azedou o humor dos investidores no mercado local.
Depois de tocar os 172.386 pontos na máxima do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 2,50%, aos 167.875 pontos, perto da mínima de 167.569 pontos. Trata-se da maior queda diária desde 12 de março, quando o índice cedeu 2,55%.
A venda massiva de estrangeiros afetou em cheio as ações de bancos, que lideraram as perdas. A maior queda ficou para as units do BTG Pactual, que recuaram 5,80%, após agentes financeiros destacarem que a composição do crescimento e de algumas métricas operacionais empolgaram menos no balanço do segundo trimestre divulgado hoje. A exceção ficou para as units do Santander, que subiram 0,92%.
O dia também foi negativo para blue chips de commodities: as PN da Petrobras cederam 1,35%, ao passo que as ON da Vale recuaram 2,02%.
Diante da proximidade das eleições, a divulgação de nova pesquisa eleitoral também pode ter ajudado a aumentar o mau humor nos mercados locais.
Hoje, o volume financeiro negociado no Ibovespa foi de R$ 23,6 bilhões e de R$ 31,4 bilhões. Já em Nova York, o Nasdaq cedeu 0,60%; o S&P 500 recuou 0,32%; e o Dow Jones perdeu 0,34%.