Vaticano propõe participação de fiéis nas visitas ad limina dos bispos ao papa

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O Grupo de Estudo 7 do Sínodo dos Bispos apresentou, nesta sexta-feira (11), uma proposta para reformar as visitas ad limina apostolorum. O objetivo é transformar essas peregrinações periódicas dos bispos a Roma, antes focadas em burocracia, em eventos de maior participação espiritual e missionária. A mudança prevê o envolvimento direto de leigos e religiosos locais desde a fase de preparação.

O que são as visitas ad limina e por que elas podem mudar?

Historicamente, as visitas ad limina são viagens obrigatórias que os bispos de todo o mundo fazem a Roma para visitar os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo e se reunir com o papa. Por muito tempo, esses encontros tiveram um tom mais administrativo, como uma prestação de contas burocrática da diocese. Agora, o Vaticano quer que essas visitas deixem de ser apenas sobre papelada interna e se tornem momentos de troca espiritual. A ideia é que o bispo não vá apenas como um gestor, mas como um representante de sua comunidade, levando as alegrias e os desafios reais da fé vivida em sua região.

Como os fiéis participarão desse processo na prática?

A proposta sugere que a preparação para a visita comece muito antes da viagem, dentro da própria comunidade local. O bispo deve convocar padres, diáconos, religiosos e, principalmente, os fiéis leigos para ajudar a montar o relatório que será levado ao papa. Esse documento deve nascer de um discernimento compartilhado, refletindo a voz do povo de Deus. Além disso, o grupo de estudo sugere que uma delegação de fiéis possa acompanhar fisicamente o bispo a Roma. Ao retornar, o bispo e esses representantes devem realizar reuniões públicas para compartilhar os frutos do encontro com o pontífice.

Quais termos teológicos fundamentam essa renovação estrutural?

A reforma se baseia em conceitos como a ‘eclesiologia de comunhão’ do Concílio Vaticano II. Na prática, isso significa entender a Igreja não como uma pirâmide rígida, mas como um corpo onde todos têm voz. Termos como ‘sinodalidade missionária’ aparecem para reforçar que a Igreja deve estar em constante diálogo e movimento. Outro pilar é a constituição apostólica Praedicate Evangelium, do Papa Francisco, que busca descentralizar o poder e colocar a Cúria Romana a serviço das igrejas locais, promovendo uma ‘troca de dons’ entre o bispo de Roma e os pastores espalhados pelo mundo.