IA deve ser tratada como tema estratégico, dizem especialistas

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Embora Estados Unidos e China apareçam na liderança da corrida global da inteligência artificial (IA), o Brasil tem de tratar a tecnologia como tema estratégico e, por meio de uma política pública bem feita e com responsabilidade fiscal, conseguirá atrair mais investimentos, não apenas na tecnologia. Essa foi uma das conclusões do painel “A Nova Indústria: IA, Geopolítica e Competitividade na Era da Transformação”, no Fórum Agenda Global 2026, iniciativa do Valor e da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) realizadas nesta segunda-feira (21) em Nova York.

“Quando o Brasil entende que algo é necessário, consegue reunir esforços em torno desse tema, e inteligência artificial, me parece que é um consenso entre todos nós, é um tema estratégico para o país. Além de Estados Unidos e China, há outros potenciais parceiros asiáticos, como Japão ou Coreia. Uma política pública bem feita, com responsabilidade fiscal, vai ser o caminho para a gente conseguir trazer investimentos nessa área”, disse Larissa Wachholz, sócia da Vallya e “senior fellow” do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Conforme a executiva, o Brasil tem vantagens competitivas importantes e, em um momento de instabilidade geopolítica global, sua capacidade de diálogo e estabilidade se tornam ativos econômicos.

“O maior esforço que o Brasil precisa fazer neste momento é, justamente, alinhar políticas públicas com a capacidade que tem de formar bons técnicos, inclusive com um parque industrial já existente e precisa ser estimulado a usar a inteligência artificial para ir atrás de competitividade”.

Na avaliação de Larissa, outra discussão relevante diz respeito a como os grandes grupos brasileiros vão se preparar para ter seus próprios modelos de linguagem de IA. “Será que não há um excesso de concentração dessa tecnologia em algumas poucas empresas? [Nesse ambiente], parece também que para o Brasil faz mais sentido privilegiar o modelo de ecossistema de código aberto, porque as nossas empresas vão se beneficiar disso.”

Para os palestrantes do painel, é preciso avaliar a aplicabilidade da IA em casos práticos e criar um ambiente que incentive as empresas a inovar e a trazer essa tecnologia, passando ainda por regulação. Em determinados mercados, como o de cigarros, a IA poderia ser uma aliada no combate ao mercado ilegal, exemplificou o presidente da Phillip Morris no Brasil, Miguel Matos.

Para o executivo, um dos grandes desafios da nova tecnologia é como garantir ganhos à indústria na prática. Na companhia que dirige, uma das aplicações está relacionada a dois problemas do setor, o mercado ilícito de cigarro, que corresponde a cerca de um terço do produto consumido no Brasil, e o acesso de menores de idade ao tabaco. Na Europa, a Phillip Morris está testando uma ferramenta que identifica se o comprador de cigarro em máquinas é menor de idade, exemplificou.

“Outro exemplo está na luta contra o mercado ilícito, com análise preditiva nas principais cadeias de distribuição destes produtos. Esse é um problema grande do Brasil, que também afeta a competitividade do país. Se todos trabalharmos em conjunto para tentar melhorar, é possível mitigar [esse problema]”.

Durante o painel, a secretária de Fazenda e Planejamento da cidade do Rio de Janeiro, Andrea Riechert Senko, disse que o poder público tem olhado as novas tecnologias para atendimento ao cidadão, em serviços, caso da prefeitura carioca.

Andrea observou ainda que mercado está em evolução rápida, mas, em termos de finanças e análise do setor público, ainda é bem conservador. “E é bom que seja assim. O município do Rio de Janeiro tem, nos últimos anos, passado por uma transformação. A gente recuperou a capacidade de investimento, voltou a dar confiança ao mercado, porque o setor privado precisa confiar no setor público para investir”, afirmou.

“Da mesma forma que o país busca dar esses sinais, as cidades que querem atrair investimentos também precisam fazer isso. Nesse sentido, acho que falar um pouco de onde as empresas vão atuar e vão investir é também trazer essa competitividade para dentro do próprio país”, acrescentou.

Na avaliação de Larissa, sócia da Vallya, para conseguir agregar valor às vastas reservas de recursos naturais e não se limitar à exportação crescente de commodities, o Brasil deveria elevar investimentos em educação, em particular matemática, engenharia e ciências.

“Vai ser fundamental que a gente encoraje estudantes brasileiros a focar nessas áreas para que a gente consiga desenvolver áreas técnicas e uma indústria competitiva para o futuro. Tem que ter política pública para o desenvolvimento em massa e precisa ter tambémo estímulo no seio familiar. Convivo muito com Ásia, com China, Japão e Coreia. Vejo quanto a educação ocupa um papel central na vida das famílias e essa educação para áreas que vão ter impacto na indústria brasileira vai ser fundamental”, observou.

[Fonte Original]

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