A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) recebeu com frustração a nova pesquisa Quaest, que mostra o senador com 42% das intenções de voto contra 41% de Lula (PT) em um eventual segundo turno. Havia a expectativa de que a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) tivesse produzido um desgaste para o atual presidente, que,entretanto, oscilou positivamente um ponto.
A campanha petista entende, por sua vez, que o levantamento desta segunda-feira trouxe sinais positivos com elevação, mesmo que dentro da margem de erro, também das intenções de voto em Lula no primeiro turno (de 36% para 37%) e da avaliação do governo (de 43% para 44%).
Um aliado de Flávio classificou a pesquisa como “ótima” para o senador, mas ponderou que a prevalência sobre Lula está dentro da margem de erro. Na avaliação desse interlocutor, a eleição será decidida no “tira-teima”, expressão usada para descrever uma disputa apertada, em que as diferenças entre os candidatos são pequenas e o resultado permanece indefinido até a apuração dos votos.
A avaliação predominante na campanha é de que Flávio atravessou a fase mais turbulenta da corrida sem sofrer uma perda de apoio considerada relevante e, agora, deve evitar movimentos que possam reabrir as crises que vinham pressionando sua candidatura. A orientação é, em grande medida, manter o ritmo atual e “jogar parado”, preservando o cenário construído nas últimas semanas. No primeiro turno, o senador passou de 31% para 33%,
No segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente de Lula pela segunda pesquisa Quaest consecutiva. Na semana passada, o senador tinha 42% contra 40% do petista. Segundo aliados, o resultado é considerado relevante porque foi a primeira vez desde abril que Flávio apareceu à frente de Lula em um levantamento da consultoria. Na pesquisa divulgada nesta segunda-feira, no entanto, a diferença caiu para um ponto, dentro da margem de erro.
A avaliação de Lula é justamente o principal ponto de atenção identificado por integrantes da campanha. Parte dos aliados esperava que a crise envolvendo Alexandre de Moraes e as revelações relacionadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tivessem provocado uma reação maior no eleitorado contra o presidente.
Ao mesmo tempo, a campanha avalia intensificar a ofensiva contra Lula a partir da associação do presidente a Moraes. Como mostrou O GLOBO, aliados de Flávio discutem levar ao horário eleitoral o vídeo que mostra o ministro e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jatinho operado por uma empresa ligada a Vorcaro..
A estratégia dá continuidade a uma linha que já vinha sendo explorada pela campanha. Na semana passada, Flávio usou o horário eleitoral para dizer que “Lula é Moraes, Moraes é Lula” e associar a crise no Supremo ao presidente.
Na campanha petista, por outro lado, a avaliação é que o fato de Flávio não crescer na simulação de segundo turno mostra que o candidato do PL pode já ter batido no teto máximo de votos. Foi comemorada também a oscilação de um ponto na avaliação de governo, que pode indicar os efeitos do anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família.
Foi celebrado especialmente ainda o fato de a parcela da população que avalia a família Bolsonaro como o mais afetada pelo escândalo do Banco Master ter passado de 15% para 21% em uma semana. Lula é citado por 11% (eram 9%).
— A pesquisa confirma a consolidação da polarização mas aponta uma tendência que a gente já enxerga nas ruas, nas redes e nas sondagens internas: a verdade sobre o escândalo do banco Master começa a ficar mais evidente para as pessoas e produzir mudanças de percepção. Em meio a tantos personagens citados, o eleitor vai se dando conta que apenas um, dentre todos os candidatos a presidente, Flávio Bolsonaro, realmente recebeu dinheiro do banqueiro Vorcaro e está sendo investigado por corrupção e lavagem de dinheiro — afirma Éden Valadares, secretário de comunicação do PT e membro da coordenação da campanha presidencial.
Na frente de rua, Flávio começa a semana no Rio Grande do Norte, onde terá compromissos nesta segunda-feira. A programação prevê atos em Parnamirim e Natal, incluindo uma motocarreata e um comício na capital. Na terça-feira, o candidato segue para São Luís, no Maranhão e depois segue com agendas no Sudeste.
Lula, por sua vez, terá parte da semana consumida pela agenda presidencial fora do país. O petista viajou no último domingo a Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Depois de retornar ao Brasil na quarta-feira, vai ao Rio de Janeiro participar de um ato com artistas.