As obras de revitalização da Praça do Pomar, no Jardim Oceânico, já começaram, mas um grupo de moradores ainda tenta alterar pontos do projeto. Uma comissão organizada pela Associação de Moradores e Amigos do Jardim Oceânico (Amojo) enviou uma carta à Subprefeitura da Barra com sugestões de mudanças. Paulo Oighenstein, presidente da entidade, afirma que ainda não houve uma resposta sobre a possibilidade de revisão. Enquanto isso, a intervenção, orçada em R$ 2,8 milhões, segue em andamento e tem conclusão prevista para dezembro.
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Na carta, a Amojo propõe reduzir a pavimentação das alamedas e manter parte dos caminhos em saibro. Na alameda principal, a sugestão é instalar bloquetes de concreto apenas em uma faixa, com espaços para o crescimento de gramíneas, preservando o saibro no restante do percurso. Nos caminhos que levam ao chafariz, a entidade defende que o piso seja colocado apenas nos acessos correspondentes aos portões que permanecem abertos, para facilitar a circulação de cadeirantes e pessoas com carrinhos de crianças.
O advogado e morador da região Rogério Zouein critica a previsão de instalação de blocos de concreto em todas as alamedas. Para ele, a mudança pode aumentar o calor e interferir na paisagem da praça.
— É inacreditável que em uma época de mudanças climáticas, com as ondas de calor aumentando, na contramão dos programas de sdespavimentação divulgados pelo mundo, inclusive pela própria ex-secretária de Meio Ambiente do Rio, a prefeitura decida pavimentar com blocos de concreto todas as alamedas da Praça do Pomar, o que vai aumentar sensivelmente o calor, além de agredir a paisagem natural e bucólica local — afirma.
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Segundo Oighenstein, as alterações sugeridas pela comissão poderiam ser feitas antes da execução sem representar aumento de custos.
— Montamos uma comissão de moradores para rever o escopo e detalhes da obra. Enviamos uma carta, mas a subprefeitura ainda não deu uma resposta objetiva sobre faria mudanças no projeto. Enquanto isso, as obras seguem a todo vapor. As mudanças solicitadas são simples; se feitas antes da execução, não implicam em custos, pelo contrário — argumenta.
Em nota, a Subprefeitura da Barra diz que recebeu, ao longo dos últimos anos, inúmeras reclamações sobre as condições do solo da Praça do Pomar, que, segundo o órgão, fica intransitável em dias de chuva. Ainda de acordo com a prefeitura, moradores solicitaram a criação de um caminho para pedestres e a instalação de piso drenante.
A subprefeitura acrescenta que a licitação para obras no local foi realizada com base em um projeto aprovado após consulta prévia a moradores. As solicitações apresentadas depois, informa, foram encaminhadas à área técnica para análise.
Piso emborrachado no espaço kids
A revitalização prevê a renovação da academia da terceira idade, do playground, do parcão, da pista de caminhada e dos equipamentos de ginástica. O projeto também inclui novas áreas de convivência, sanitários e alojamentos para a Guarda Municipal.
Entre as novidades está um espaço exclusivo para crianças de até 4 anos. O chamado Baixo Bebê terá equipamentos de madeira, como balanço baby, escorrega e gangorras. Mas o seu piso é outro impasse. O projeto prevê que seja emborrachado, mas, para a comissão de moradores, deve-se manter a areia, para manter a identidade bucólica da praça.
— O problema é que a prefeitura não faz a manutenção da areia, assim como não faz do saibro das alamedas. Se fizesse, a areia ou falta dela não seria uma questão — diz uma moradora que preferiu não se identificar. — Também não vão fazer manutenção do piso emborrachado.
O cronograma prevê demolições, execução de novos pisos, recomposição da pedras portuguesas e conclusão dos trabalhos em dezembro.
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Outro ponto da obra que gerou questionamentos foi o gradil. De acordo com moradores, as barras estão sendo pintadas sem substituição das danificadas. A Secretaria municipal de Conservação (Seconserva), porém, informa que aquelas com problemas serão substituídas e que o gradil existente será repintado, depois de passar por lixamento e limpeza, com aplicação de tinta anticorrosiva e, posteriormente, de tinta de acabamento.
A placa instalada no local é outro alvo de reclamação, por não ter informações como o valor total da obra, a empreiteira responsável e a duração dos trabalhos.
— Mais grave ainda: na placa afixada no local, não consta o valor total da obra, a empreiteira responsável, a duração, dentre outros itens obrigatórios, conforme determina o Decreto Municipal nº 36.180/2012 — afirma Zouein.
A Seconserva afirma que o decreto citado pelo morador dispõe sobre placas de obras particulares e não se aplica às realizadas pelo poder público.
Para o arquiteto e urbanista Vinicius Mattos, pesquisador da UFRJ, a preocupação com os efeitos da pavimentação da praça é justificada, porque pode elevar a temperatura das superfícies, especialmente nos trechos sem sombra.
— A preocupação dos moradores faz sentido, principalmente se houver aumento significativo da área mineralizada (onde há grande quantidade de minerais sob a terra, como rocha) da praça. Isso pode elevar a temperatura das superfícies e piorar o conforto térmico, sobretudo nos trechos sem sombra — afirma Mattos.
O pesquisador, porém, também faz uma ressalva em relação à solução defendida pelos moradores para as alamedas. A sugestão prevê o uso de bloquetes vazados com grama em alguns trechos, alternativa que, segundo ele, pode apresentar dificuldades de manutenção e acessibilidade.
— Eu não considero o bloquete vazado com grama uma boa solução para as alamedas. Na prática, a grama costuma ter dificuldade de sobreviver em áreas de circulação por causa do pisoteio, da compactação do solo, do sombreamento e da manutenção, e o piso pode acabar se tornando irregular e pouco adequado à acessibilidade — avalia.
Para Mattos, a discussão deveria considerar a quantidade de áreas pavimentadas e a preservação da arborização:
— Uma alameda pavimentada sob árvores pode ter desempenho térmico muito melhor do que um piso teoricamente “verde” exposto ao sol. Portanto, eu avaliaria conjuntamente pavimentação, permeabilidade e, principalmente, a preservação e ampliação da arborização da praça.
A subprefeitura diz que nenhuma árvore será removida da praça.