Nem os agentes de IA escapam da disparidade salarial de gênero; entenda

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Nem mesmo os agentes de inteligência artificial conseguem driblar as desigualdades de gênero presentes no mercado de trabalho. É o que concluiu um estudo publicado por pesquisadores das Universidades de Limerick, na Irlanda, e de Zurique, na Suíça. No trabalho, eles constataram que a aparência e o gênero atribuídos a um agente de IA influenciam na forma como as pessoas se relacionam com a ferramenta. O resultado foi que bots de aparência feminina acabaram recebendo salários menores que seus colegas “homens”. 

Os pesquisadores selecionaram 189 profissionais do conhecimento com idade entre 18 e 64 anos. Durante os testes, eles executaram tarefas num escritório virtual, com óculos de realidade virtual, e interagiram com assistentes de IA que tinham a mesma capacidade tecnológica, mas aparências diferentes. 

Um deles era um robô de mesa, sem rosto ou movimento. Outros dois bots tinham aparência humana, sendo um feminino — a Johanna — e outro masculino, o Johan. Um chatbot de texto, sem avatar ou interação por voz, concluía a lista. 

Os quatro agentes de IA usavam o mesmo modelo de linguagem, o GPT-4, e tinham a função de ajudar os participantes a propor soluções para desafios de bem-estar, inclusão e colaboração entre funcionários.

Depois de cada tarefa, os participantes avaliaram a aparência humana, a confiança nas respostas e o crédito que o assistente deveria receber pelo trabalho. Também puderam destinar até 4 francos suíços ao desenvolvimento de cada assistente, abrindo mão de ficar com essa parcela do dinheiro.

A primeira conclusão do estudo foi que os participantes atribuíram mais confiança, crédito pelo trabalho e recursos para desenvolvimento aos assistentes que pareciam pessoas do que ao robô de mesa. 

Do total, 34 dos participantes foram entrevistados pelos pesquisadores. Em geral, eles disseram que Johanna e Johan pareciam mais naturais e capazes de compreender as perguntas. E alguns relataram que a aparência do robô transmitia a impressão de um brinquedo ou de uma ferramenta menos competente.

Além disso, 30 dos 34 participantes disseram que confiariam e recompensariam os assistentes da mesma maneira, independentemente do gênero. 

  • Adolescente resgatado de penhasco no Canadá após planejar trilha com IA diz que caso foi ‘tirado de contexto’; entenda

Mas, na prática, não foi bem assim. Johan recebeu uma média de 2,96 francos suíços, enquanto Johanna ganhou 2,54 francos suíços, uma remuneração 16,5% menor do que seu colega igualmente competente, mas de aparência masculina.

“Interpretamos essa divergência como um ponto cego metacognitivo: os participantes expressaram corretamente um princípio de equidade — o de que a aparência não deveria importar —, mas subestimaram o quanto os sinais sociais associados à representação física influenciaram seus julgamentos naquele momento”, escreveram os pesquisadores.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img