As autoridades sauditas prorrogaram até sábado (17) o fechamento do aeroporto internacional de Riad, e companhias aéreas cancelaram voos após sucessivos ataques dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, esvaziarem os céus da capital da Arábia Saudita.
As operações do Aeroporto Internacional Rei Khalid, o segundo mais movimentado da Arábia Saudita, atrás do de Jeddah, foram suspensas para “permitir a conclusão dos procedimentos destinados a garantir a segurança e a prontidão operacional das instalações aeroportuárias”, informou a autoridade de aviação civil saudita em comunicado.
Na noite de segunda-feira (12), os houthis afirmaram ter atacado o aeroporto com um míssil balístico, pouco depois de a Arábia Saudita anunciar que havia interceptado e destruído um míssil balístico lançado pelo grupo em direção a Riad.
Os houthis também afirmaram, em comunicado, que atingiram com um drone uma base aérea em Khamis Mushait, no sudoeste do reino. Não houve confirmação imediata das autoridades sauditas.
Um aviso aos pilotos emitido na segunda-feira indicou que o Aeroporto Internacional Rei Khalid permanecerá fechado até às 21h GMT (18h de Brasília) de 17 de outubro.
O aeroporto está fechado desde um ataque no sábado (10) que matou 13 pessoas e deixou mais de 300 feridos, o mais letal registrado no reino em mais de uma década. No domingo, outro ataque matou uma pessoa e feriu quase uma dúzia.
Os ataques provocaram uma das maiores interrupções da aviação saudita em anos, aumentando a pressão sobre um setor que já enfrenta os efeitos dos conflitos no Oriente Médio e da alta dos preços do combustível de aviação, que reduz as margens de lucro.
As ofensivas também aumentaram a preocupação com a possibilidade de a aviação civil se tornar alvo de conflitos armados.
“Esse nível de ataques intensos e contínuos contra a aviação civil não tem precedentes”, afirmou Mark Zee, fundador da OpsGroup, organização que fornece orientações sobre segurança aérea a seus associados.
“Acho que isso exige que repensemos nossa avaliação dos riscos atuais e ajamos com muita cautela”, acrescentou.
Dados do serviço de monitoramento de voos Flightradar24 mostraram que aviões evitavam sobrevoar Riad na segunda-feira, embora aeronaves continuassem cruzando o espaço aéreo saudita e pousando no principal centro de conexões de Jeddah, na costa oeste do país.
Os cancelamentos atingiram 46,4% dos voos em todos os aeroportos sauditas, segundo a empresa de análise de dados de aviação Cirium.
Crise afeta perspectivas econômicas da Arábia Saudita
A interrupção das operações obrigou companhias aéreas da Europa e da Ásia a suspender voos. No domingo, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) recomendou que empresas americanas adotassem cautela ao voar para a Arábia Saudita ou sobre seu território.
Na sexta-feira (9), a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) ampliou um alerta sobre o espaço aéreo saudita, citando ataques com mísseis e drones.
“O impacto vai além da Arábia Saudita, atingindo toda a região e suas conexões globais”, afirmou o analista de aviação John Strickland.
A OpsGroup recomendou que as companhias aéreas evitem completamente o corredor aéreo ao sul do Oriente Médio e utilizem rotas entre a Europa e a Ásia que passem pela Ásia Central.
De acordo com Zee, isso acrescenta “uma distância considerável” a algumas rotas e “elimina opções de acesso a Dubai e Abu Dhabi para a maioria das companhias aéreas ocidentais”.
O grupo Lufthansa cancelou todos os voos para Riad até 16 de outubro, enquanto a Air France-KLM prorrogou até o fim do mês a suspensão das operações de ida e volta da capital saudita.
A Etihad Airways informou que cancelou voos entre Abu Dhabi e Riad, Jeddah e Dammam devido às “perturbações regionais”. A companhia acrescentou que todos os voos entre Abu Dhabi e Riad permanecerão cancelados até 19 de outubro.
A Qatar Airways anunciou na segunda-feira a suspensão temporária dos voos de ida e volta de Riad e Dammam devido à “situação atual”.
A Delta Air Lines informou que adiou para março de 2027 o início de sua rota entre Atlanta e Riad, inicialmente previsto para 23 de outubro.
A escalada do conflito com os houthis aumentou as preocupações com os efeitos mais amplos sobre a economia saudita. A projeção é de que o Produto Interno Bruto (PIB) real da Arábia Saudita recue 3,6% neste ano, refletindo uma combinação de fatores, incluindo a menor atividade petrolífera.
Os ataques também colocaram sob pressão eventos programados para este mês em Riad, entre eles a principal conferência de investimentos do reino e o Congresso Mundial de Energia do Petróleo (WPC Energy Congress), de cuja programação foram retirados vários executivos de alto escalão do setor petrolífero.
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