Uma tigresa selvagem com uma característica incomum chamou a atenção de pesquisadores na China: a cauda significativamente mais curta que a de outros animais da espécie. A fêmea foi identificada por câmeras infravermelhas na província de Heilongjiang, no nordeste do país, e pode ter potencial para se reproduzir com outro tigre que vive na mesma região, segundo as equipes responsáveis pelo monitoramento da fauna local.
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O animal foi descoberto durante a análise de imagens registradas na região de Dongning, dentro do Parque Nacional do Tigre-Siberiano e do Leopardo-do-Amur. Até então, a fêmea não havia sido identificada nos registros das autoridades responsáveis pela proteção da vida selvagem.
A particularidade da tigresa foi percebida quando ela passou diante de uma das câmeras. Além de permitir imagens nítidas do rosto do animal, o equipamento registrou a fêmea de lado, revelando uma cauda visivelmente menor do que a habitual.
Segundo os responsáveis pelo monitoramento, a característica é congênita, ou seja, presente desde o nascimento, e não resultado de um ferimento provocado por algum acidente. A análise das imagens também indicou que a tigresa permanece há bastante tempo na região, sem sinais de que tenha abandonado seu território.
A descoberta ganhou relevância para os pesquisadores porque a área frequentada pela fêmea se sobrepõe amplamente ao território de Wandashan-1, um tigre-siberiano que foi resgatado e posteriormente devolvido à natureza.
O animal passou a viver na região de Dongning em dezembro de 2022 e permanece na área há mais de três anos. O acompanhamento por câmeras permitiu observar sua presença contínua na floresta e registrar comportamentos associados à exploração do território.
A proximidade entre as áreas de circulação dos dois animais levou os especialistas a considerar a possibilidade de reprodução natural. A presença de uma fêmea em idade reprodutiva é um fator importante para a manutenção de populações de tigres-siberianos, espécie ameaçada de extinção.
A descoberta também ocorre em meio aos esforços de conservação dos grandes felinos no nordeste da China. O Parque Nacional do Tigre-Siberiano e do Leopardo-do-Amur foi criado em 2021 para proteger os habitats naturais das espécies e favorecer a circulação dos animais entre áreas florestais, inclusive em regiões próximas à fronteira com a Rússia.
Em Dongning, as equipes utilizam câmeras infravermelhas e outros recursos de monitoramento para identificar indivíduos, acompanhar seus deslocamentos e compreender a dinâmica das populações selvagens.
Desde 2021, o sistema de monitoramento da área registrou 310 ocorrências de tigres-siberianos e identificou pelo menos nove indivíduos diferentes. No mesmo período, foram contabilizados 1.313 registros de leopardos-do-amur, com a identificação de pelo menos 18 animais, incluindo cinco filhotes.
A identificação individual é possível, em parte, porque o padrão de listras dos tigres funciona como uma espécie de impressão digital: as marcas variam de um animal para outro e permitem distinguir indivíduos ao longo do tempo.
O acompanhamento também ajuda a identificar mudanças na ocupação do território e a presença de animais em áreas onde antes não havia registros.