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sexta-feira, abril 17, 2026

Crítica | Universo 2099 – O Fim – Plano Crítico

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Nem que seja por curiosidade mórbida, creio que o conceito da fusão de Knull com Galactus para formar Abyssus, devorador de almas que tem como arauto ninguém menos do que o próprio Drácula, seja irresistível. E essa nova criatura cósmica ser usada como gatilho dentro da linha O Fim, da Marvel Comics, tendo desta vez como foco todo o Universo 2099 é mais uma camada que torna algo irresistível em uma minissérie absolutamente essencial para os leitores de quadrinhos mainstream dos EUA. Brincadeiras à parte, considerando que eu realmente tenho dificuldades em me afastar de rinhas de galo de gigantescas proporções desde que elas se tornaram parte dos alicerces da Marvel e DC Comics lá pelos idos dos anos 80, algo que normalmente acaba me frustrando, mas que, ocasionalmente, traz boa surpresas, como foi o caso da recente Mundo Bélico, que pinçou heróis do multiverso para uma pancadaria patrocinada por Korvac.

Universo 2099 – O Fim, minha “tradução” talvez menos estranha para o título original The End 2099, enquanto não há publicação por aqui, pega exatamente a mesma premissa da citada minissérie quase simultânea de Christos Gage e a transporta para uma disputa pelas almas do Universo 2099 entre o mencionado Abyssus e o bom e velho Mephisto que, provocado pelo Surfista Prateado 2099, seu ex-arauto, trata de propor um combate entre seus campeões retirados exclusivamente desse universo futurista criado em 1992 e os campeões da amálgama do Rei das Trevas e do Devorador de Mundos (com o segundo sendo hospedeiro do primeiro, mas mantendo uma voz interna), retirados de quaisquer outros universos. Com o desafio prontamente aceito, lógico, Abyssus, se perder, deixará o Universo 2099 em paz, consumindo “apenas” os universos de onde os campeões dele próprio vêm, uma barganha definitivamente diabólica.

Ideia reciclada? Sem dúvida. Mas se formos excluir de leituras de quadrinhos das duas grandes editoras dos EUA tudo o que é reciclado, as possibilidades de leituras ficariam restritas aos dedos de uma mão, isso se tanto. A vantagem de uma minissérie como a que é objeto da presente crítica é que ela não tem vergonha alguma de ser o que é e estabelece sua premissa e inicia a pancadaria com pouquíssima contextualização e detalhamento, muito na base do “para que enrolar se tiros, porradas e bombas dão conta do recado?”, o que nem sempre é interessante, mas que com um mínimo de cuidado, consegue divertir. E, mesmo que o roteiro de Steve Orlando seja básico, ele não é desleixado por completo, usando bem a arrogância de Knull, a paciência de Galactus e, principalmente, a malícia de Mephisto para construir uma narrativa simpática, que é acrescentada das virtudes do Homem-Aranha 2099, que passa a história inteira tentando apaziguar ânimos e evitar mais derramamento de sangue, e também do Homem-Aranha 3099, introduzido aqui como parte do time de Abyssus, mas logo bandeando-se para o lado de sua contrapartida de mil anos antes.

Esse novo Aranha dourado e azul e que consegue controlar seu corpo a ponto de fabricar substâncias químicas ao seu bel prazer parece ser o objetivo editorial maior da Marvel Comics com essa minissérie. Sim, vemos um monte de personagens do Universo 2099 fazendo pontas aqui e ali, talvez com mais destaque para o Nova que é o Logan, como foi revelado há relativamente pouco tempo e sim, vemos alguns personagens familiares de vários outros universos diferentes, até mesmo o Miles Morales dos jogos eletrônicos do Homem-Aranha, mas fica evidente que esse novo capítulo da interminável “saga” – talvez selo seja um nome mais apto – O Fim, iniciada quase que inadvertidamente por Peter David em 2002 com o one-shot Hulk: O Fim, é como uma porta de entrada para um novo futuro do Universo Marvel, mais especificamente o 3099. Não é, ainda, um Aranha particularmente interessante como Miguel O’Hara sem dúvida é, mas também não há muito espaço para ele ganhar qualquer tipo de desenvolvimento, pelo que teremos que esperar sua inevitável exploração futura.

O que frustra mais em Universo 2099 – O Fim é que Orlando não dá fim a absolutamente nada, talvez por ordens superiores. Tudo acaba basicamente como começa e isso tira o pouco da força que a história poderia ter. Por outro lado, a arte de Ibraim Roberson, que desenha sozinho as três primeiras edições, dividindo a segunda com Gabriel Guzman e a terceira com Guzman, Stefano Nesi e também Daniel Picciotto, é, sem dúvida alguma, o grande destaque da minissérie e a principal razão para apreciá-la. Ele não se contenta com o básico e tem traços rebuscados e detalhados que dão verdadeira vida principalmente a Mephisto e Abyssus, com ambientações belíssimas e o  uso constante de páginas inteiras e duplas para criar todo o impacto que uma história desse tipo precisa ter para realmente funcionar. Claro que, na medida em que Roberson tem menos espaço nas edições #4 e 5, a arte caminha para algo mais comum e até genérico, mas o que fica sob sua responsabilidade é soberbo em escala, detalhes e sua capacidade de distribuir espacialmente o monte de personagens que povoa a minissérie.

Universo 2099 – O Fim é mais uma rinha de galo multiversal que não consegue trabalhar seus personagens com a categoria da minissérie de Gage, mas que faz da forma seu grande atrativo. O Homem-Aranha 3099 é apenas um chamariz simplório, com um uniforme mais estranho do que bonito, mas observar a arte de Roberson é um prazer imenso que sem dúvida acaba melhorando o resultado final do texto de Orlando. Se faltou coragem para fazer algo significativo com o Universo 2099, sobrou talento para colocar ideias simples de maneira muito competente nas páginas.

Universo 2099 – O Fim (The End 2099 – EUA, 2025/26)
Contendo: The End 2099 #1 a 5
Roteiro: Steve Orlando
Arte: Ibraim Roberson (#1 a 3, parcialmente 4 e 5), Gabriel Guzman (parcialmente #4 e 5), Stefano Nesi (parcialmente #5), Daniel Picciotto (parcialmente #5)
Cores: Andrew Dalhouse (#1 a 3, parcialmente 4 e 5), Fabi Marques (parcialmente #4 e 5), Java Tartaglia (parcialmente #5)
Letras: Joe Caramagna
Editoria: Drew Baumgartner, Lauren Amaro, Mark Paniccia, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Datas de publicação: 10 de dezembro de 2025; 28 de janeiro, 25 de fevereiro, 11 de março e 08 de abril de 2026
Páginas: 129



[Fonte Original]

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