Os Estados Unidos expressaram confiança de que as negociações de paz com o Irã serão realizadas no Paquistão, e uma autoridade iraniana sênior disse que Teerã estava considerando participar, mas obstáculos significativos e incertezas permanecem à medida que o fim do cessar-fogo se aproxima.
A trégua de duas semanas na guerra deve expirar na quarta-feira e, apesar de o Irã ter descartado anteriormente uma segunda rodada de negociações nesta semana, uma fonte paquistanesa envolvida nas discussões disse à Reuters que há um clima favorável para que as negociações sejam retomadas nesse dia.
“As coisas estão avançando, e as negociações estão dentro do previsto para amanhã”, disse a fonte nesta terça-feira, sob condição de anonimato, acrescentando que o presidente dos EUA, Donald Trump, poderia comparecer pessoalmente ou virtualmente, se um acordo fosse assinado.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, viajará para o Paquistão hoje para as negociações, informou o Axios, citando fontes dos EUA, e um jornal americano afirmou que o Irã havia dito aos mediadores regionais que enviaria uma delegação ao Paquistão nesta terça-feira, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
A Reuters não pôde confirmar imediatamente as reportagens. Uma autoridade iraniana, falando à Reuters, disse que Teerã estava “analisando positivamente” sua participação nas negociações, mas enfatizou que nenhuma decisão havia sido tomada.
Os preços do petróleo caíram mais de US$1, e as ações se recuperaram no início das negociações na Ásia, nesta terça-feira, com a expectativa de que as negociações de paz entre os EUA e o Irã sejam retomadas nesta semana, depois que uma reunião anterior em Islamabad foi interrompida sem um acordo. Os preços do petróleo saltaram cerca de 6% nas negociações de segunda-feira, devido às dúvidas sobre as negociações.
Mas as tensões permaneceram altas hoje, com a retórica desafiadora do Irã aumentando a incerteza sobre a possibilidade de as negociações acontecerem.
As principais autoridades de Teerã repreenderam Washington pelo bloqueio dos portos iranianos e pela apreensão e abordagem de um navio comercial iraniano, o Touska, no domingo, que eles chamaram de violações do cessar-fogo que eram obstáculos à diplomacia.
Um comandante militar iraniano sênior disse hoje que as forças estavam prontas para dar uma “resposta imediata e decisiva” a qualquer hostilidade renovada dos adversários, disse a agência de notícias semi-oficial Tasnim, enquanto o embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, em um post no X, disse que qualquer nação com uma grande civilização não negociaria sob ameaça ou força.
O principal negociador Mohammad Baqer Qalibaf acusou Trump de aumentar a pressão por meio do bloqueio em uma postagem no X, na noite de segunda-feira, dizendo que ele estava iludido ao tentar “transformar a mesa de negociações em uma mesa de submissão” ou justificar um novo belicismo.
Trump quer um acordo que evite novos aumentos nos preços do petróleo e impactos no mercado de ações, mas insistiu que o Irã não pode ter os meios para desenvolver uma arma nuclear.
Teerã espera alavancar seu controle do Estreito de Ormuz para fechar um acordo que evite o reinício da guerra, alivie as sanções, mas não impeça seu programa nuclear.
Washington não especificou quando o cessar-fogo de duas semanas terminará. Uma fonte paquistanesa envolvida nas conversações disse que ele terminaria às 20h (horário do leste dos EUA) de quarta-feira, ou às 3h30 de quinta-feira no Irã.
Nesta terça-feira, o presidente americano publicou na sua rede social, Truth Social, que “o Irã violou o cessar-fogo diversas vezes”.
Fontes de segurança marítima disseram na segunda-feira que o navio iraniano Touska provavelmente teria a bordo o que Washington considera itens de uso duplo, que poderiam ser usados pelos militares. O Comando Central dos EUA disse que a tripulação não cumpriu os repetidos avisos em um período de seis horas e que o navio violou o bloqueio dos EUA.
A China, o principal comprador do petróleo iraniano, expressou preocupação com a “interceptação forçada”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a apreensão hoje e exigiu a libertação imediata da embarcação, de sua tripulação e de suas famílias, alertando que Teerã usaria todas as suas capacidades para defender seus interesses nacionais e sua segurança.
“Os Estados Unidos assumiriam total responsabilidade por qualquer nova escalada na região”, disse, de acordo com a mídia estatal iraniana.
Milhares de pessoas foram mortas por ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã e em uma invasão israelense ao Líbano, conduzida paralelamente desde o início da guerra em 28 de fevereiro. A guerra provocou um choque histórico no fornecimento global de energia e temores de que o conflito prolongado poderia levar a economia global à beira da recessão.
O bloqueio dos EUA aos portos iranianos enfureceu Teerã, que suspendeu e logo reimpôs suas próprias restrições ao Estreito de Ormuz, que normalmente movimenta cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. O Paquistão, mediador, fez lobby para que Washington encerrasse seu bloqueio.