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quarta-feira, maio 13, 2026

Dólar fecha em forte queda e vai a R$ 4,91, menor patamar desde janeiro de 2024

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O dólar à vista exibiu forte desvalorização frente ao real na sessão desta terça-feira, chegando ao menor patamar desde fim de janeiro de 2024. O alívio na percepção de risco global foi o gatilho para a apreciação do câmbio brasileiro, que exibiu um movimento em linha com o observado na maioria dos mercados mais líquidos, em especial emergentes, ainda que em uma magnitude superior aos pares.

O bom desempenho do real continuou ancorado no enfraquecimento global da moeda americana, nos juros muito elevados no país, na volatilidade contida e nos termos de troca favoráveis, conforme apontaram operadores de câmbio. Além do já mencionado, a internalização de dólares por parte de exportadores neste período do ano teria dado ajuda adicional.

Encerradas as negociações desta terça-feira, o dólar à vista registrou queda de 1,12%, cotado a R$ 4,9121, o menor patamar de fechamento desde o dia 26 de janeiro de 2024, quando a moeda americana terminou negociada a R$ 4,9105. Na mínima do dia, o dólar bateu em R$ 4,9060 e encostou na máxima de R$ 4,9527. Já o euro comercial teve depreciação de 1,12% frente ao real, a R$ 5,7448, o menor patamar desde junho de 2024.

Perto do fechamento, o real apresentava o melhor desempenho frente ao dólar, na relação das 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. O dólar também recuava 0,84% ante o peso mexicano, 0,77% contra o peso chileno e 0,73% ante o rand sul-africano. Já o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,10%, aos 98,473 pontos.

Victor Scalet, estrategista macro da XP, lembra que o real tem se destacado, mas não é algo exclusivo de agora. “Isso já era uma tendência observada antes da guerra [no Oriente Médio], desde o fim de 2025, mas o movimento foi acentuado do início dos conflitos para frente”, afirma.

Desde o começo do pregão, o dólar à vista recuou frente ao real, refletindo uma melhora no humor dos agentes do mercado por conta de uma não escalada nas tensões no Oriente Médio. Depois da troca de ataques entre EUA e Irã ontem, havia a perspectiva de que o imbróglio geopolítico pudesse piorar. Como isso não ocorreu, os preços do petróleo recuaram nesta sessão, com os contratos tipo Brent em queda de 4%.

Ainda na leitura de Scalet, os preços das commodities, em especial do petróleo, tem dado suporte ao real por conta dos termos de troca do Brasil, mas o que mais importante nesse movimento hoje é a dinâmica do dólar fraco. “O time macro da XP espera que haja uma acomodação nos preços do petróleo em torno de US$ 90 o barril no segundo semestre, mas não deve ser isso que deve mexer na dinâmica do real. O risco está mais concentrado no movimento global da moeda americana. Se houver um novo ciclo de dólar forte, por qualquer motivo que seja, poderemos ver uma reversão no movimento atual.”

A Wagner Investimentos diz, em nota, que segue otimista com o real, mas provavelmente o espaço para quedas adicionais parece reduzido, ainda mais antes das eleições presidenciais. “Por outro lado, há fatores que devem continuar a ajudar o real: alta das commodities, provável continuação de fluxo externo e provável manutenção da taxa Selic em 14,50%”, diz a casa, em comentários do diretor José Faria Junior.

“Apesar da dificuldade da recomendação de compra neste momento, temos conversado com nossos clientes para aproveitarem quedas e terem em carteira algo em torno de 15 a 30 dias da necessidade de compra”, diz, acrescentando que sobre a venda, é preciso aguardar nova oportunidade. “Em todo caso, nos últimos dias foi possível vender dólares na região de R$ 5,00, que é a linha da concentração de curto prazo. A linha de médio prazo, nível tecnicamente mais confiável para vender, está na região de R$ 5,10.”

O chefe da tesouraria de um grande banco local diz que tem observado internalizações de exportadores, mas que o bom desempenho do real se dá pelo interesse que a moeda desperta pelos altos juros e pelos termos de troca.

[Fonte Original]

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