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terça-feira, maio 5, 2026

Eucatex sente impacto da guerra e busca elevar valor agregado

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A Eucatex, fabricante de painéis e pisos de madeira, portas e tintas, terminou o ano passado com crescimento de 61% no lucro líquido e de 8,6% na receita, que atingiram R$ 198 milhões e R$ 3,1 bilhões, respectivamente. A receita com exportações subiu 21% no período, para R$ 809 milhões, mesmo com os efeitos do tarifaço do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos — destino da maior parte dos produtos que a companhia manda para fora.

Confira os resultados e indicadores da Eucatex e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360

A melhora nos resultados vem de ganho no valor agregado dos produtos, contou, em entrevista ao Valor, o vice-presidente executivo, José Antônio Goulart. Segundo ele, estrutura produtiva da Eucatex tem se mantido relativamente estável nos últimos anos, desde a aquisição de uma fábrica de chapas finas de madeira da Dexco (antiga Duratex), em Botucatu (SP), em 2019. O investimento foi uma troca de ativos – a Eucatex cedeu uma fazenda para a companhia.

Se o pior do tarifaço ficou para trás, restando, por ora, uma taxa de 10% para as exportações, a guerra dos Estados Unidos contra o Irã tem sido a nova fonte de preocupação. Além de afetar o transporte de petróleo, as dificuldades para navios cargueiros e petroleiros passarem pelo Estreito de Ormuz atingem o abastecimento de ureia, produto usado na resina que vai nos painéis de madeira.

“A resina é feita à base de ureia e formol, commodities que explodiram de preço”, afirmou Goulart. Elas podem representar até 25% do custo de fabricação do painel.

Segundo ele, esse aumento de preço tem chegado aos poucos ao mercado interno e pode haver novas negociações neste mês. A empresa estima um aumento de 7% a 8% no custo de produção. “Vamos fazer um movimento para tentar repor esse custo e ver o que vai acontecer em maio”, disse, acrescentando que “não tem margem para não repassar” o incremento aos clientes.

O dólar mais fraco em relação ao real deve ajudar a suavizar esse impacto, ponderou o vice-presidente. Há investimentos menores em andamento na companhia, principalmente com o objetivo de verticalizar mais a produção e aumentar o valor dos produtos.

A Eucatex está investindo R$ 45 milhões na automação da sua produção de portas e kits de portas (quando o produto já chega ao cliente com ferragens, requadro e batente). A meta, segundo Goulart, é triplicar a produção atual, de cerca de 40 mil portas ao mês. O mercado nacional do produto é estimado em torno de 600 mil portas ao mês.

“Aí tem um desafio comercial grande”, afirmou o executivo, para dar destino à nova produção. A saída encontrada pela Eucatex é criar uma equipe de vendas focada em construtoras, que são as maiores consumidoras de portas.

O investimento também vai para a produção do “recheio” das portas, uma estrutura em formato de colmeia, feita de papel kraft, que antes era comprada de fornecedores. “Daí, vamos estar absolutamente integrados”, disse.

Outros cerca de R$ 20 milhões vão para a divisão de tintas, com uma nova envasadora e com a internalização da fabricação do “slurry”, pasta de minerais que é uma das bases das tintas. “Poucas empresas fornecem e a demanda pelo produto é grande. Ficamos muito sujeitos a flutuações”, afirmou Goulart.

A divisão de tintas vive uma mudança de mercado, com a junção de dois grandes concorrentes. A líder de mercado, Suvinil, que era da Basf, foi adquirida, no ano passado, pela americana Sherwin-Williams. Juntas, devem representar quase metade do mercado nacional de tintas domésticas. “E aí tem um resto disputado por centenas de fábricas”, afirmou Goulart. A Eucatex estima ser a terceira em produção no país e uma das poucas com abrangência nacional.

Em painéis de madeira, que em todo o setor tiveram alta de 1,3% nas vendas domésticas e queda de 4,2% nas exportações em 2025, de acordo com a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), a Eucatex está investindo R$ 60 milhões em uma nova prensa, para fabricar chapas finas com um tipo de revestimento de alta resistência chamado BP (baixa pressão). De acordo com Goulart, será uma novidade no mercado, com aplicações possíveis para a indústria moveleira e também para o segmento de portas.

A Eucatex tinha planos, em 2024, para se tornar autossuficiente em madeira até 2025, como informou ao Valor naquele ano. A madeira tem se tornado escassa e cara, principalmente no Estado de São Paulo, por causa dos altos investimentos em novas plantas de celulose.

No entanto, a Eucatex ainda compra de 5% a 8% da sua necessidade, afirmou o vice-presidente. Além de seguir investindo em melhoria das florestas próprias, a companhia tenta reduzir o uso desse tipo de madeira como combustível para as caldeiras das fábricas. Em seu lugar, entram resíduos, como pallets, caixas de madeira e o que sobra de podas de árvores.

A fábrica da empresa em Salto (SP) já roda apenas com esse tipo de combustível, a um custo de R$ 1 milhão ao mês, metade do gasto com combustível nas divisões de Botucatu, onde a companhia também vai implementar esse tipo de produto. “Tem um retorno muito interessante, rápido”, afirma Goulart.

[Fonte Original]

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