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quarta-feira, maio 13, 2026

Juros futuros têm queda firme em dia de alívio global e recuo do petróleo

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Os juros futuros fecharam o pregão desta terça-feira (5) em queda firme, devolvendo boa parte da alta registrada na véspera em mais um dia que o ambiente externo dominou as operações nos mercados domésticos.

O alívio na percepção de risco dos investidores globais levou a um recuo acentuado dos preços do petróleo, o que abriu espaço para uma maior tomada de risco e, como consequência, uma devolução de parte dos prêmios de risco acrescidos às curvas de juros.

Internamente, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ficou no foco. O documento mostrou uma postura cautelosa do colegiado, preocupado com a desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo, mas não ao ponto de paralisar o ciclo de cortes da Selic.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 recuou de 14,21%, do ajuste anterior, para 14,14%; a do DI de janeiro de 2028 anotou forte queda de 13,965% a 13,84%; a do DI de janeiro de 2029 cedeu de 13,86% para 13,765% e a do DI de janeiro de 2031 caiu de 13,88% a 13,825%.

O temor de um recrudescimento da guerra no Oriente Médio não se confirmou hoje, o que deu espaço para os investidores locais e estrangeiros voltarem a aumentar a exposição a risco nos seus portfólios após o estresse que afetou os mercados na segunda-feira (4). O petróleo, embora se mantenha confortavelmente acima do patamar de US$ 100 por barril, devolveu parte da alta recente e o movimento foi seguido pelo mercado de renda fixa.

“O cenário externo se acalmou, à medida que as manchetes de ontem, que sinalizavam um acirramento da guerra, foram sendo discretamente desmentidas, permitindo que o risco local devolvesse parte do prêmio que havia acumulado às pressas na segunda-feira”, escreve um participante do mercado, em condição de anonimato.

Ainda que o exterior tenha guiado as taxas, houve também uma melhora da perspectiva para o ciclo de cortes da Selic. Depois de o comunicado divulgado após a decisão da semana passada do Copom indicar que o comitê poderia pausar a calibração dos juros, a ata, divulgada hoje, não deu sinais mais conservadores e alimentou a aposta de que uma nova redução de 0,25 ponto percentual da Selic deve acontecer na decisão de junho da autoridade monetária.

No mercado de opções digitais de Copom, a probabilidade implícita de que a Selic se mantenha em 14,50% no mês que vem caiu de 40% a 29%, enquanto a chance de outro corte de 0,25 ponto subiu de 50% para 55%.

O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, avalia que os elementos trazidos pela ata não alteram a leitura acerca da postura do Copom, já comunicada na última quarta-feira (29), o que fortalece a expectativa de que o colegiado siga reduzindo a Selic em 0,25 ponto até o fim do ano ou até que haja uma mudança relevante no cenário global.

Para ele, “a barra não é tão alta” para paralisar o ciclo de cortes da Selic, o que pode vir a acontecer caso as expectativas de inflação de 2028 do relatório Focus continuem piorando. Na ata, o Copom destacou especificamente este ponto, que deve se tornar cada vez mais relevante à medida que o horizonte relevante da política monetária migra para 2028.

“Acho que [as expectativas do IPCA de 2028] podem piorar um pouco, mas uma piora marginal não impediria o BC de chegar à conclusão de que dá para cortar um pouco mais”, diz Serrano. “Mas se piorar demais ou muito rápido, pode ser que ele prefira parar.” Apesar de pontuar o incômodo com as expectativas do relatório Focus, o Copom também reafirmou que vê espaço para seguir calibrando a Selic mesmo em um ambiente global bastante incerto e adverso.

“Ficou um cenário bastante aberto, mas é algo que a gente já imaginava até antes da decisão do Copom. Continuamos muito dependentes do ambiente externo, o BC fala muitas vezes do aumento da incerteza e os riscos associados à guerra, com o aumento dos custos via disrupção parcial das cadeias de produção e distribuição”, destaca o economista-chefe do Banco Bmg.

Para Serrano, o IPCA ainda não reflete os efeitos de segunda ordem da alta do petróleo e de outras commodities por conta da guerra. O profissional diz que será crucial observar o comportamento da inflação do setor de serviços. “Se continuar com a descompressão que vínhamos acompanhando, ainda que lenta, é um cenário positivo. Mas se voltar a subir, indica que já há efeitos indiretos da alta do petróleo na inflação”, aponta.

[Fonte Original]

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