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terça-feira, maio 12, 2026

Pluralismo é crítico para as universidades

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Universidades deveriam ser espaços abertos ao pensamento livre, ao debate de ideias, à convivência entre diferentes visões políticas, ideológicas, religiosas ou de comportamento. Infelizmente, não é o que se tem visto no Brasil. Em vez de abrirem as portas a divergências e discussões produtivas, as instituições de ensino superior — em especial as públicas — têm se fechado como redutos de radicalismo, intolerância, censura e pensamento único. Por isso foi um sopro de sensatez o manifesto divulgado por um grupo de docentes e pesquisadores de diferentes partes do país em defesa do pluralismo e da liberdade acadêmica.

Manifestações e críticas são frequentes no ambiente universitário. Devem ser não apenas toleradas, mas encorajadas, desde que transcorram em clima pacífico e respeitoso. Não é o caso dos sucessivos episódios de cancelamento de eventos, abaixo-assinado contra professores e pesquisadores, boicote a aulas, campanhas sórdidas em redes sociais, intimidação a palestrantes e até agressão física. Está em xeque a própria essência da universidade: acolher todas as correntes de pensamento.

Um dos muitos episódios que ilustram a distorção foi o cerco à vereadora de São Paulo e ex-deputada estadual Janaina Paschoal. Em 2023, estudantes da USP fizeram um abaixo-assinado para tentar impedi-la de retornar como professora da Faculdade de Direito. Não por qualquer ressalva a currículo ou credenciais acadêmicas. Alegaram que a atuação política de Janaina — signatária do pedido de impeachment de Dilma Rousseff e apoiadora de Jair Bolsonaro em 2018 — era incompatível com os valores democráticos da instituição. Foi tratada como persona non grata — atitude inaceitável.

Alguns casos não ficaram só na intimidação. O advogado Jeffrey Chiquini e o vereador Guilherme Kilter foram impedidos de dar uma palestra sobre o Supremo na UFPR. Foram hostilizados e empurrados. Na Unesp, o professor Gabriel Cepaluni foi agredido por alunos no campus de Franca. Sob gritos de “racista” e “assediador”, levou socos e chutes, suas roupas foram rasgadas. Em 2016, na UFPI, o professor de filosofia Ramon Lima foi cercado por alunos do Centro de Ciências Humanas. Acusado de racismo e machismo, chegou a ficar trancado numa sala. Foi libertado sob proteção da polícia com colete à prova de balas. Os três casos são uma pequena parte da extensa pesquisa “Restrições à liberdade acadêmica”, realizada por UFF, USP e UFPR.

Não surpreende que a imagem da academia tenha derretido aos olhos da sociedade. Em 2025, 59% diziam confiar pouco ou não confiar em universidades públicas, segundo pesquisa da More in Common. Mais da metade (54%) acredita que promovem mais ideologia que ensino de qualidade. Para que recuperem a confiança e cumpram sua missão de formação e produção de conhecimento, dizem os autores do manifesto, é necessário que se comprometam com três aspectos fundamentais: neutralidade institucional, liberdade acadêmica e pluralismo.

Estudantes que intimidam, cancelam, boicotam e agridem quem discorda conspiram contra a democracia e a missão acadêmica. A responsabilidade cabe também às instituições. É preciso rechaçar o ativismo militante, garantir a liberdade e se esforçar para abrigar vozes divergentes. Só assim as universidades poderão ser palco do debate robusto de onde surgem as melhores ideias — e o melhor conhecimento.

[Fonte Original]

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