Os Bálcãs sentiram nesta segunda-feira os efeitos da onda de calor recorde que provocou centenas de mortes em excesso e interrompeu a rotina em todo o continente por mais de uma semana, ao mesmo tempo em que aumentam as preocupações com a propagação de incêndios florestais.
Também houve um alerta de que o calor deve voltar a se intensificar a partir do início da próxima semana em países como França e Alemanha, que enfrentaram as temperaturas mais extremas nos últimos dias.
Na Croácia, o serviço meteorológico emitiu alerta vermelho nesta segunda-feira para regiões que incluem a capital, Zagreb, e os destinos turísticos de Split e Dubrovnik.
Dezenas de bombeiros, com apoio de quatro aeronaves, combatiam um incêndio florestal que atingia áreas de pinheiros na ilha turística de Vis, no mar Adriático, cerca de 55 quilômetros a sudoeste de Split.
Já na vizinha Sérvia, o Serviço Hidrometeorológico Estatal (RHMZ) alertou que as temperaturas devem alcançar 39°C nesta segunda-feira.
Mais ao sul, a Albânia conseguiu controlar um incêndio florestal que consumiu dezenas de hectares de arbustos e oliveiras nas proximidades da vila de Klos, no sul do país, durante o fim de semana.
De acordo com cientistas, a onda de calor iniciada em 20 de junho é a pior já registrada na Europa. As temperaturas extremas interromperam a geração de energia, danificaram a infraestrutura e sobrecarregaram os sistemas de saúde.
A França registrou 1.000 mortes em excesso durante a onda de calor. A agência francesa de saúde pública informou que a maioria das mortes relacionadas às altas temperaturas ocorreu entre idosos e alertou que esse número deve aumentar.
Segundo cientistas, a onda de calor teria sido “virtualmente impossível” sem as mudanças climáticas causadas pela atividade humana, que tornaram as temperaturas excepcionalmente elevadas durante a noite nesta semana 100 vezes mais prováveis do que eram há apenas duas décadas.
Calor deve voltar a se intensificar no oeste europeu
Luca Mercalli, presidente da Sociedade Meteorológica Italiana, disse que as temperaturas devem disparar novamente entre os dias 5 e 6 de julho.
“As áreas afetadas parecem ser, em linhas gerais, as mesmas da primeira onda, incluindo França, Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e, em certa medida, o Reino Unido”, disse ele à Reuters.
“Com o calor extremo, o risco de incêndios florestais aumenta, mas também estamos observando muitas tempestades, o que obviamente reduz esse risco”, acrescentou, observando que as tempestades são muito localizadas e, por isso, o volume de chuva pode variar bastante de uma região para outra.
Outras tragédias relacionadas ao calor foram registradas durante o fim de semana.
Dois meninos búlgaros, de 8 e 10 anos, foram encontrados mortos dentro de um carro superaquecido no Chipre na tarde de domingo, informou a polícia. O país registra atualmente temperaturas em torno de 38°C, o que não é considerado uma onda de calor para esta época do ano na ilha do Mediterrâneo Oriental.
Dois ciclistas, de 30 e 71 anos, morreram enquanto participavam de uma prova da série Poland Bike Marathon em Marki, perto de Varsóvia, no domingo.
A Polônia registrou no domingo um novo recorde de temperatura, com 40,5°C.