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quarta-feira, junho 24, 2026

Acelen Renováveis e Trafigura fecham contrato para fornecimento de matéria-prima e SAF

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A Acelen Renováveis firmou um acordo de longo prazo com a Trafigura, uma das maiores tradings de commodities do mundo, que envolve fornecimento de matéria-prima e comercialização de combustíveis renováveis da biorrefinaria em construção na Bahia. Pelo acordo, a Trafigura vai vender à Acelen Renováveis 470 mil toneladas de óleo de cozinha usado (UCO) por ano. Em contrapartida, a empresa dona da biorrefinaria vai vender à comercializadora parte da produção futura de combustível sustentável de aviação e diesel verde (SAF e HVO, nas sigla em inglês), além de nafta verde, insumo renovável usado na produção de gasolina e bioplásticos.

O contrato de fornecimento de óleo de cozinha usado é de cinco anos e o de SAF tem duração de seis anos. A previsão é de que a biorrefinaria entre em operação no primeiro trimestre de 2029, com investimento de US$ 1,5 bilhão, ou cerca de R$ 7,5 bilhões. O projeto prevê a produção de 1 bilhão de litros de biocombustíveis por ano, o que corresponde a 20 mil barris por dia de SAF e HVO. Da capacidade total, 90% da produção já foi comercializada.

O fornecimento de óleo de cozinha usado é parte da estratégia de operação da Acelen para a biorrefinaria, que está sendo construída próximo à refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde (BA). O óleo a ser fornecido pela Trafigura será importado e o volume será suficiente para produção de 459 milhões de litros após reprocessamento e reciclagem.

Segundo Cristiano da Costa, vice-presidente comercial e negociação da Acelen Renováveis, o prazo dos contratos foi o necessário para que se firmasse o financiamento da construção da usina, no modelo de “project finance” pelo qual o próprio empreendimento é utilizado como garantia do crédito. “E é o prazo que também entendemos que dá tempo para que o mercado cresça e entre em maturação”, disse Costa.

A compra do UCO pela Acelen também está prevista no projeto da biorrefinaria. Após iniciada a operação, a planta terá a produção dividida em duas fases: a primeira envolve o uso do óleo de cozinha usado e de outros óleos vegetais, até o amadurecimento da cultura da macaúba que será plantada e colhida pela companhia. A transição entre o óleo reciclado e aquele derivado da macaúba não deve exigir ajustes profundos na produção, acrescentou Costa.

O executivo destacou que a Acelen já contratou 88% do volume de matéria-prima necessária para a produção dos biocombustíveis. Isso porque a ideia é permitir que a empresa possa completar o restante do fornecimento com outras culturas locais, como a canola produzida no Rio Grande do Sul. No caso da Trafigura, o óleo usado será importado, com origem em grandes cadeias de restaurantes, uma vez que não há ainda uma cultura e estrutura no Brasil para coleta de óleo usado por residências e restaurantes. A escolha do UCO, disse, se deu também por causa do baixo índice de carbono para um projeto que precisa de escala.

O contrato com a Trafigura para fornecimento de matéria-prima corresponde a 47% do total necessário para a produção. E no lado dos biocombustíveis, o acordo envolve a venda de 25% da produção para a gigante de commodities. O restante está contratado para outras duas empresas, cujos nomes não foram revelados por questões contratuais.

“A própria Trafigura tem interesse em ficar conosco por mais tempo, para poder aproveitar a macaúba em um futuro próximo”, disse Costa.

Nessa linha, Sebastian Jaworski, Head de Oil Trading para a América Latina da Trafigura, afirmou em nota que o crescimento do mercado de biocombustíveis representa uma oportunidade significativa para o Brasil e que pode contribuir com a oferta mais ampla de produtos renováveis. “Ao combinar a capacidade de produção em larga escala da biorrefinaria da Bahia com a expertise da Trafigura, ampliaremos o alcance desses produtos, ajudando mais empresas a avançar em seus objetivos de descarbonização”, disse Jaworski.

[Fonte Original]

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