Após a confirmação dos Estados Unidos da imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, aliados do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) atacaram o governo de Lula (PT) para tentar conter um novo desgaste do senador. Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira apontou que a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pelo tarifaço a Flávio. Bolsonaristas associaram a medida econômica à gestão Lula, que criticou o senador por trabalhar contra interesses do país com objetivos eleitoreiros e teceu críticas ao clã como “falsos patriotas”.
Coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL), afirmou que o governo Lula “colhe o que plantou”. “Enquanto transformava a política externa em instrumento de militância ideológica, ignorava as negociações com os Estados Unidos. O resultado veio em forma de tarifas”, disse ele, que apontou o silêncio do governo quando a China impôs tarifas de 55% e a União Europeia restringiu a carne bovina brasileira.
Em postagem no X, Marinho acusou o governo Lula de posar agora como “defensor da soberania” mesmo sem ter enviado um representante para a audiência pública, na qual Flávio discursou em Washington, que antecedeu a imposição do tarifaço.
A retórica de Marinho espelha aquela adotada pelo próprio Flávio, que compartilhou o post em que o chefe da diplomacia do governo Trump, Marco Rubio, culpa Lula pela decisão americana. O senador brasileiro chamou o petista de “Biden brasileiro” e escreveu que quem olha para Lula enxerga “passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança”.
Já ex-deputado federal e ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo disse, também pelo X, que Flávio “conspirou e conseguiu o que queria”.
“Até o PIX foi alvo. Não é somente um ataque a nossa soberania e economia, é uma tentativa de Trump de interferir no processo eleitoral brasileiro. Flávio e a família Bolsonaro, esses falsos patriotas, estão querendo vender o Brasil em nome dos interesses do clã”, destacou ele.
Freixo ainda defendeu o atual presidente, que, segundo ele, “sempre esteve aberto ao diálogo e à negociação”. “E não baixará a cabeça para Donald Trump”, acrescentou.
Após a confirmação do tarifaço, o governo federal afirmou que o dia 15 de julho passará para a História das relações entre Brasil e EUA “como um marco lastimável”, prometeu acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, citou acusações “desmedidas e absurdas” entre as justificativas de Washington e criticou o clã Bolsonaro como “falsos patriotas”.
“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, diz o comunicado oficial.
Único pré-candidato à Presidência entre os que estão empatados em terceiro lugar a se manifestar sobre a medida, Ronaldo Caiado (PSD) distribuiu críticas a ambos os lados do embate político brasileiro. O ex-governador de Goiás afirmou que o tarifaço “vai destruir quem alimenta o Brasil”, em especial preocupação com os impactos da medida sobre o agronegócio. Ele citou as decisões da China, da União Europeia e dos EUA como “três ataques ao agro”.
“E zero resposta do governo, só cuidados paliativos”, escreveu ele, antes de atribuir responsabilidade também a Flávio. “Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto”.
Caiado afirmou, ainda, que sua proposta “é reciprocidade de verdade”, com mercado aberto, “não vassalagem”. “Chega de negociar de joelhos”, ressaltou.
Nesta quinta-feira, ele fez outra postagem, disse que “setores inteiros podem quebrar” e atacou a polarização da eleição presidencial.
“O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país!”, disse.