O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência, defendeu nesta segunda-feira (22) uma agenda de forte ajuste fiscal para o país, incluindo uma nova reforma da Previdência, uma reforma administrativa e a revisão dos programas sociais. Em evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, Zema afirmou que o Brasil precisa de um “choque contra a gastança” e prometeu, se eleito, um corte de gastos superior ao promovido durante o governo Michel Temer.
Segundo o pré-candidato, a redução das despesas públicas é condição necessária para a queda dos juros e para a retomada dos investimentos privados. “Os juros só vão cair na hora de acabar essa gastança”, afirmou. Na avaliação de Zema, o aumento da expectativa de vida exige uma nova rodada de mudanças nas regras previdenciárias, enquanto o setor público precisa passar por uma reforma administrativa para reduzir custos e aumentar a eficiência da máquina estatal.
Zema também defendeu revisar os programas sociais. Segundo ele, parte dos beneficiários permanece por longos períodos dependente de transferências de renda, mesmo diante de oportunidades de emprego formal. Para o ex-governador, pessoas que recusam sucessivas ofertas de trabalho não deveriam continuar recebendo benefícios públicos.
No campo econômico, Zema argumentou que empresários e investidores que acreditaram no país estão sendo penalizados pelo elevado custo do crédito. Segundo ele, os juros representam hoje um dos principais entraves ao crescimento econômico. Na sua avaliação, a combinação entre controle de gastos, redução dos juros e aumento da produtividade permitiria modernizar a indústria brasileira, ampliar a competitividade das empresas e elevar a renda da população.
O pré-candidato também criticou propostas que, segundo ele, buscam resolver problemas estruturais sem enfrentar a baixa produtividade da economia. Como exemplo, citou o debate sobre o fim da escala 6×1 e afirmou que medidas desse tipo não tornarão o país mais rico nem aumentarão a renda dos trabalhadores.
Durante o discurso, Zema voltou a destacar sua trajetória empresarial e associou sua entrada na política à recessão de 2015 e 2016. Segundo ele, a crise econômica o obrigou a promover demissões em massa em sua empresa, experiência que o levou a concluir que o ambiente macroeconômico é determinante para o sucesso de trabalhadores e empresários.
O ex-governador também usou sua gestão em Minas Gerais para um eventual projeto nacional. Segundo ele, o Estado saiu de um déficit de R$ 11 bilhões em 2018 para um superávit de R$ 4 bilhões em 2024. Zema afirmou ainda ter encontrado um governo marcado por atrasos de repasses a municípios, dívidas com servidores e obras paralisadas.
Na área de segurança pública, defendeu uma política mais rigorosa de combate ao crime organizado. Citou a redução de ataques a instituições financeiras durante sua gestão, afirmou que Minas registrou “zero invasão de terras” e elogiou experiências internacionais de enfrentamento à criminalidade. Para ele, a violência representa não apenas uma tragédia humana, mas também um dos principais obstáculos ao desenvolvimento econômico do país.