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quinta-feira, junho 25, 2026

Dólar à vista termina no maior patamar desde fim de março com apostas de alta dos juros nos EUA

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O dólar comercial fechou a sessão desta quarta-feira em alta, nos maiores patamares desde o fim de março. A perspectiva de uma política monetária mais apertada nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que o crescimento da economia daquele país se mantém forte, levou a uma nova rodada de fortalecimento global da divisa americana, o que fez a moeda avançar contra pares desenvolvidos e emergentes no pregão de hoje.

O dólar fechou a sessão em alta de 0,29%, negociado a R$ 5,2025 no segmento à vista, no maior valor desde 30 de março deste ano, quando fechou a R$ 5,2477. Perto do horário de fechamento, o dólar futuro avançava 0,22%, a R$ 5,2045. Já o euro comercial subiu 0,07%, a R$ 5,9056.

O dia foi de avanço do dólar frente a uma ampla cesta de moedas de países desenvolvidos e emergentes. Apenas três das 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor exibiam valorização frente à divisa americana perto do horário de fechamento: a rupia indiana, o shekel israelense e o peso filipino.

Por outro lado, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis divisas principais, avançava 0,21%, aos 101,62 pontos, perto de seus maiores patamares desde maio do ano passado. Em comparação com os pares do real, a divisa americana subia 0,44% frente ao peso mexicano; 0,34% frente ao rand sul-africano; e 0,56% ante o peso chileno.

As chances crescentes de retomada de altas de juros nos Estados Unidos vêm pressionando as demais moedas globais desde a última decisão de política monetária do Federal Reserve. Os futuros dos Fed Funds já apontam para uma probabilidade de 36% do Fed elevar as taxas de juros na reunião de julho; para a reunião de setembro, as chances de uma nova alta alcançam os 70%.

Neste ambiente, a queda nos preços de commodities e do petróleo também acabam ampliando a vulnerabilidade das divisas emergentres. Segundo a equipe de estratégia do BBVA, o real continua vulnerável ao fortalecimento do dólar e à queda dos preços das commodities, enquanto a incerteza em torno das eleições de outubro segue reduzindo parte da atratividade da posição comprada em moeda brasileira, que anteriormente era uma operação bastante congestionada.

“O dólar tem sido pressionado para cima contra o real desde que atingiu uma mínima abaixo de R$ 4,90 no início de maio, em meio ao aumento das incertezas eleitorais e à possibilidade de um desfecho desfavorável ao mercado”, apontam.

O desempenho do real na sessão se opõe ao observado na curva de juros, onde uma forte correção ganhou corpo e fez os agentes retirarem parte dos prêmios de risco embutidos na curva. Segundo o gestor da Oby Capital, Camilo Cavalcanti, houve exagero nos mercados em relação às apostas na curva de juros nos dias que antecederam a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e na reação após a decisão de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano.

Com a mensagem mais clara de que o Banco Central não cogita subir a Selic no momento, após a divulgação da ata da reunião ontem, e com o tombo recente nos preços do petróleo, é difícil manter as apostas “tomadas” na curva no momento. “O mercado vem tirando alguns exageros. E, mesmo com esse corte de 0,25 ponto, não é que nossa curva esteja baixa agora”, aponta Cavalcanti.

Neste ambiente, o cenário também se torna mais desafiador para o real. “O dólar teve um bom desempenho contra os pares e contra emergentes recentemente. Dado o contexto, não vejo muito espaço para o real melhorar. E, o que ainda é pior, ele pode ser a válvula de escape do mercado caso as coisas piorem por algum motivo particular do Brasil, principalmente porque os juros ainda estão elevados e a bolsa já sofreu uma correção recentemente”, afirma.

[Fonte Original]

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