A economia da Argentina deu sinais de continuidade no processo de recuperação no início de 2026, em um cenário positivo para o governo do presidente Javier Milei, impulsionada por uma forte safra agrícola, pelo salto das exportações e pela expansão dos setores de mineração e finanças.
O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 2,3% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado superou as expectativas de analistas consultados pela Reuters, que projetavam alta de 1,7% no período de janeiro a março.
Em termos dessazonalizados, o PIB cresceu 0,7% em relação ao quarto trimestre do ano anterior.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor externo e pela recuperação dos setores primários. Pelo lado da demanda, as exportações lideraram o crescimento, com alta de 9,8% na comparação anual. O consumo privado também contribuiu positivamente, com expansão de 2,7%, favorecida pelo aumento das importações de bens de consumo final e automóveis.
Também foram registradas altas em setores como intermediação financeira, com crescimento de 7,5% na comparação anual.
Do lado da oferta, os destaques foram os setores de pesca, que cresceu 27,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, agricultura, pecuária, caça e silvicultura, com avanço de 18,1%, e extração de minas e pedreiras, que registrou expansão de 12,3%.
O resultado foi comemorado pelo ministro da Economia, Luis Caputo. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que “o nível de atividade alcançou um novo recorde histórico no primeiro trimestre de 2026”.
Apesar da melhora da atividade, os dados apontam para uma fraqueza persistente do investimento, um dos principais desafios para a sustentação do crescimento econômico no longo prazo. A Formação Bruta de Capital Fixo caiu 11,6% na comparação anual.
A retração foi puxada principalmente pela queda dos investimentos em máquinas e equipamentos produzidos no país, que recuaram 11,5%, e em equipamentos de transporte de fabricação nacional, com queda de 26,4%.
Uma pesquisa do banco central da Argentina publicada em junho mostrou que os analistas, em média, projetam um crescimento econômico de 2,9% para 2026.