grupo japonês por trás da rede de roupas casuais Uniqlo reforçou o monitoramento de sua cadeia de fornecimento em relação a questões de direitos humanos, devido ao endurecimento das regras de “due diligence” na Europa.
As fábricas parceiras da Fast Retailing passam por auditorias cerca de uma vez por ano para verificar o cumprimento de seu código de conduta, que abrange higiene, segurança, salários e jornada de trabalho. As inspeções incluem todas as fábricas de costura de fornecedores de primeiro nível, além dos principais fornecedores de segundo nível.
Quando auditorias ou visitas são realizadas por organizações externas, elas normalmente seguem critérios padronizados do setor para identificar abusos como trabalho forçado e exploração de mão de obra infantil — os mesmos utilizados por grandes empresas ocidentais do setor de vestuário.
Agora, a Fast Retailing desenvolveu critérios próprios de auditoria, adaptados a cada país. O sistema já estava implementado em mais de 700 fábricas no mundo até o fim de maio. A mudança se concentra principalmente em unidades de produção de vestuário e têxteis em países como China, Bangladesh, Vietnã e Indonésia.
Os novos critérios incluem cerca de 300 itens aplicáveis a todas as fábricas, baseados no código de conduta da empresa. Outros parâmetros adicionais foram incorporados para lidar com riscos, leis e condições específicas de cada país ou região.
Na Malásia, por exemplo, onde há grande presença de trabalhadores migrantes, problemas como contratações irregulares e condições precárias de trabalho são recorrentes. As novas auditorias no país passaram a verificar se os processos de contratação estão sendo seguidos corretamente e se há retenção indevida de passaportes por empregadores.
Em testes-piloto realizados em algumas fábricas no ano fiscal encerrado em agosto de 2025, 28 unidades foram identificadas para revisão. Entre os problemas encontrados estavam falhas na confiabilidade das informações fornecidas e a prática de turnos consecutivos de trabalho.
As fábricas sinalizadas foram orientadas a corrigir as irregularidades. A Fast Retailing acabou encerrando relações comerciais com três delas.
A empresa ocupa a 11ª posição entre 105 companhias no Corporate Human Rights Benchmark — o melhor desempenho entre empresas japonesas. A alemã Puma aparece em segundo lugar no ranking geral, sendo a marca de vestuário mais bem colocada.
Segundo Jun Naito, da Boston Consulting Group, enfrentar riscos de direitos humanos “não é apenas uma questão de conformidade regulatória, mas também contribui para o crescimento no mercado europeu e para a construção de confiança do consumidor”. Ele afirma que essas iniciativas tendem a gerar efeitos em cadeia dentro e fora do setor.
A expectativa de novas regras na Europa é um dos principais fatores que levaram a Fast Retailing a reforçar o controle sobre sua cadeia de suprimentos.
A União Europeia deve implementar plenamente, em 2029, uma diretiva que exige que empresas realizem due diligence ambiental e de direitos humanos. A Fast Retailing mantém operações na Europa e, portanto, precisará cumprir as exigências.
A reputação de uma empresa pode ser prejudicada mesmo pela percepção de falhas na área de direitos humanos. Em 2021, os Estados Unidos chegaram a bloquear temporariamente camisas da Uniqlo na fronteira, apesar de a Fast Retailing negar a produção de itens na região de Xinjiang, na China.