Bom dia. Estamos na segunda-feira, 15 de junho.
Cenários
Na tarde do domingo (14) autoridades dos Estados Unidos, do Irã e do Paquistão um acordo para encerrar a guerra que começou em 28 de fevereiro. O memorando de entendimento deve ser assinado oficialmente na sexta-feira, na Suíça, mas termos precisos ainda não foram divulgados.
Donald Trump disse que o Estreito de Ormuz seria reaberto na sexta-feira (19), e que ele havia ordenado o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu Trump.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que um acordo mais abrangente sobre o conflito em geral seria negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias, incluindo o alívio das sanções contra o Irã.
Como seria de se esperar, os mercados estão em forte alta nesta manhã. O contrato futuro do barril de petróleo do tipo Brent, referência para o mercado internacional e para a Petrobras, está em queda de pouco mais de 5%, cotado a US$ 82,60 o barril.
Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em alta de 1,5% a 2% no pré-mercado. No entanto, as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil estão praticamente estáveis, apenas com um leve ganho ante o fechamento da sexta-feira (12).
Essa entidade chamada mercado tende a antecipar os movimentos, daí a forte alta das cotações e a queda nos preços do petróleo. No entanto, os especialistas em relações internacionais avaliam que ainda há muitos pontos em aberto.
Até agora, os únicos pontos em que os dois lados parecem concordar são a suspensão das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial.
No entanto, a justificativa mais importante para o ataque americano – o desenvolvimento de um programa nuclear pelo Irã – segue sem uma solução definida. Além disso, O Líbano tem sido um ponto de atrito nas negociações, com Israel e o Hezbollah ignorando os apelos de Trump e outros para que cessem seus ataques mútuos nas últimas semanas.
Que conclusão podemos tirar disso? A assinatura de um cessar-fogo, ainda que provisório, é uma notícia positiva em termos humanitários e econômicos. O ataque matou milhares de pessoas, a maioria no Irã e no Líbano.
A alta consistente dos preços do petróleo, que chegaram a subir 50% nos momentos de maior tensão, é um choque econômico cuja intensidade é comparável à da pandemia. Uma normalização desse mercado pode eliminar boa parte da pressão inflacionária que persistiu durante todo o segundo trimestre.
E o fato de o acordo ter sido assinado às vésperas da primeira reunião do Federal Open Market Committee (Fomc) presidida por Kevin Warsh pode trazer um alívio adicional às perspectivas para os juros nos Estados Unidos.
Tudo isso é positivo e deve ser incluído na estratégia dos investidores. No entanto, os problemas de fundo que levaram à crise seguem existindo. O Irã ainda está enriquecendo urânio, Israel continua atacando seus vizinhos e os Estados Unidos não desistiram de querer ampliar sua influência na região. Por isso, é possível soltar um suspiro de alívio – mas sem descuidar de acompanhar as notícias.
Perspectivas
A semana começa com altas nos pregões internacionais e um recuo dos preços do petróleo a níveis poucos superiores aos de antes dos ataques. No curto prazo, espera-se um movimento positivo das ações, com os investidores esperando um cenário menos adverso para a inflação e para os juros na Europa e nos Estados Unidos. As perspectivas de longo prazo estão menos definidas e seguem adicionando componentes de volatilidade potencial nos preços.
Indicadores
BRASIL
Relatório Focus
ESTADOS UNIDOS
Produção Industrial (Mai)
Esperado: + 0,3%
Anterior: + 0,7