Logo após os holandeses anunciarem a decisão em 10 de abril, um gerente de políticas da Tesla, Ivan Komusanac, escreveu um e-mail aos reguladores suecos solicitando aprovação semelhante para o FSD. Ele anexou uma apresentação de slides exibindo a alegação exagerada de que os veículos da Tesla que utilizam o FSD podem percorrer uma distância mais de sete vezes maior entre acidentes do que o motorista humano médio nos EUA.
A apresentação também alegava que o FSD poderia ter potencialmente salvado 32.000 vidas e evitado 1,9 milhão de feridos.
Pesquisadores entrevistados pela Reuters afirmaram que esses números são altamente enganosos, pois se baseiam na suposição irrealista de que todos os veículos dos EUA, incluindo caminhões de carga e motocicletas propensas a acidentes, seriam substituídos por um carro Tesla equipado com o sistema FSD — e que cada carro Tesla é, de fato, pelo menos sete vezes mais seguro do que o veículo que substitui.
A análise da Reuters também constatou que a Tesla exagera a segurança da tecnologia ao comparar a taxa de acidentes em Teslas pilotados pelo FSD que acionaram airbags com a taxa de acidentes nos EUA para todos os veículos, que inclui acidentes muito menos graves. A empresa também compara seus carros com o veículo médio dos EUA — que é muito mais antigo do que o Tesla médio. Isso distorce os resultados porque as montadoras têm introduzido gradualmente novos recursos de segurança que reduzem os acidentes.
Anders Eriksson, investigador da Agência Sueca de Transportes, recusou-se a comentar os dados fornecidos pela Tesla, mas acrescentou que os reguladores suecos “olham além dos números principais” e que qualquer avaliação de tal sistema não se basearia “apenas em alegações de segurança agregadas, mas nas evidências gerais apresentadas”.
O órgão regulador não respondeu às perguntas da Reuters sobre quais outras evidências a Tesla forneceu.