Encontrado por um caminhoneiro aposentado e posteriormente adquirido por um museu britânico por cerca de R$ 580 mil, um raro anel de ouro maciço pode ter permanecido escondido por cerca de 1.700 anos em razão de um conflito que abalou a Britânia Romana. A principal hipótese é que o proprietário tenha enterrado a joia para protegê-la durante a revolta liderada por Caráusio e nunca tenha voltado para recuperá-la.
O objeto pesa aproximadamente 48 gramas e foi encontrado em 2018 por Kevin Minto, de 68 anos, caminhoneiro aposentado e ex-militar que pratica detecção de metais. Apesar da descoberta ter ocorrido há oito anos, o caso só veio a público agora porque o processo de avaliação e aquisição seguiu os trâmites previstos pela legislação britânica para tesouros arqueológicos.
— É difícil explicar a sensação de encontrar algo assim. Foi como ser atingido por um trem expresso. Primeiro pensei que fosse uma moeda, depois um broche, até perceber que era um anel — contou Minto ao jornal britânico The Guardian.
A joia possui uma gema do tipo nicolo gravada com a imagem da deusa romana Vitória, símbolo do triunfo militar no Império Romano. Segundo especialistas, o anel provavelmente foi enterrado por volta de 297 d.C., durante a revolta de Caráusio, comandante que rompeu com Roma e se autoproclamou governante da Britânia e de parte da Gália.
A hipótese é que o proprietário tenha escondido seus bens durante o período de instabilidade política e militar e nunca retornado para recuperá-los.
Pela legislação britânica, o valor pago pelo museu foi dividido entre o proprietário do terreno e o descobridor. Minto recebeu pouco mais de £ 19.500, cerca de R$ 145 mil, após repartir sua parte com um amigo que participava das buscas.
Os pesquisadores agora tentam determinar se a peça foi produzida na própria Britânia Romana ou importada de outra região do Império. Depois de passar por exposições locais, o anel será incorporado ao acervo permanente do Museum of Somerset, em Taunton.