“É inequívoco que haverá o El Niño, bastante provável que ele seja muito forte. Nós já desenvolvemos um conjunto de medidas desde que chegamos, porque um dos assuntos prioritários que o presidente Lula sempre nos orientou é a questão das mudanças climáticas. Desde o primeiro dia, nós estamos nos preparando cada vez mais para ser capaz de lidar estruturalmente e conjunturalmente com esses fenômenos”, declarou Miriam após a reunião. Para ela, o Brasil está, hoje, mais preparado para enfrentar esse fenômeno do que estava em 2023.
O El Niño entrou no radar do governo diante do risco de impactos sobre a inflação no segundo semestre, com a possibilidade do aumento de preços de alimentos e da energia. O fenômeno climático pode provocar seca no Norte e no Nordeste, além de chuvas intensas no Sul e calor extremo no centro do país.
Após reunião técnica realizada em 16 de julho, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que as projeções mais recentes indicam para a intensificação do El Niño nos próximos meses, com alta probabilidade de atingir intensidade forte ou muito forte entre agosto e dezembro. A perspectiva de um “super El Niño” elevou a preocupação do governo com a redução das chuvas em parte das regiões Norte e Centro-Oeste e com o aumento do risco de incêndios florestais na Amazônia, no Cerrado e na Caatinga.
Especialistas avaliam que o fenômeno representa um choque macroeconômico com potencial para pressionar a inflação, elevar a necessidade de gastos públicos e dificultar o ciclo de redução da taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano.
Como mostrou o Valor, os principais postulantes à Presidência da República incorporaram em seus programas de governo propostas para enfrentar os impactos da crise climática.