O fundo de hedge de Peter Thiel adquiriu uma participação considerável na Vista Energy SAB, a maior exportadora de petróleo da Argentina, aumentando seus laços com o país sul-americano após a recente compra de uma mansão em Buenos Aires.
Com isso, no pré-market do mercado americano, as ações subiam 4,37%, a US$ 71,25, às 10h (horário de Brasília) desta segunda-feira (17).
A Thiel Macro LLC informou possuir quase 1,2 milhão de ações da Vista no final do segundo trimestre, avaliadas na época em cerca de US$ 76 milhões.
O valor da posição do fundo na Vista em 30 de junho só perde para o da Amazon.com Inc., e a Vista é a única empresa não americana listada em sua carteira, de acordo com um documento regulatório dos EUA divulgado na sexta-feira.
Além de comprar a casa em Buenos Aires, o bilionário americano do setor de tecnologia passou um tempo na Argentina este ano — ele foi até visto em um clube de xadrez no bairro da capital. Isso está gerando especulações sobre se ele tem planos mais amplos no país.
Em abril, ele se reuniu com o presidente Javier Milei, um colega libertário que está implementando um experimento de livre mercado em uma economia que foi altamente regulamentada por cerca de duas décadas. Milei disse que Thiel perguntou sobre a probabilidade de as reformas serem sustentáveis e sobre impostos sobre a riqueza.
Um porta-voz de Thiel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário no sábado.
A Vista, fundada em 2017 por Miguel Galuccio, após ele ter liderado as primeiras incursões na vasta bacia de xisto de Vaca Muerta, na Argentina, em uma empresa estatal, cresceu e se tornou a maior exportadora de petróleo do país.
A Vista produz o equivalente a cerca de 160 mil barris de petróleo e gás por dia, dos quais 70% são exportados. A empresa planeja aumentar ainda mais a produção após aquisições realizadas este ano e no ano passado , à medida que a Vaca Muerta finalmente começa a desafiar os céticos, transformando materialmente a economia argentina com uma produção superior a 1 milhão de barris.
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O Bradesco BBI vê a compra da fatia da Vista por Thiel como mais uma evidência de que a formação de xisto de Vaca Muerta, na Argentina, atrai cada vez mais a atenção internacional.
“Embora o investimento de Peter Thiel não altere os fundamentos da Vista nesta fase, o envolvimento de um investidor global de grande destaque reforça a crescente visibilidade do setor energético argentino e reflete o aumento do interesse dos investidores pelos recursos não convencionais do país. Em nossa visão, a continuidade do fluxo de capital estrangeiro e a maior atenção internacional poderiam impulsionar ainda mais o desenvolvimento de Vaca Muerta a longo prazo”, aponta.
Sob a gestão de Milei, os mercados de capitais internacionais foram reabertos para empresas de perfuração e de oleodutos, impulsionando a construção de infraestrutura, incluindo o oleoduto e porto VMOS, no qual a Vista detém participação. A obra estará concluída no próximo ano, permitindo que a Argentina exporte um volume muito maior de petróleo bruto para compradores globais.
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Os investidores americanos estão atentos, com a Chevron Corp. aumentando sua presença na região de xisto da Patagônia e o bilionário explorador de petróleo Harold Hamm entrando na disputa.
(com Bloomberg)