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terça-feira, julho 21, 2026

Maior abertura de bolsas chinesas desafia hegemonia ocidental no mercado de metais

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O governo chinês tem dado sequência a movimento que pode aumentar a influência de bolsas de mercadorias do país como referência global de preços. Em abril, a Bolsa de Futuros de Xangai (SHFE, na sigla em inglês), principal bolsa de metais da Ásia, passou a aceitar estrangeiros em seus contratos de níquel e, neste mês, a Bolsa de Futuros de Guangzhou (GFEX, na sigla em inglês), focada em minerais ligados à transição energética, repetiu o gesto com o carbonato de lítio, usado na baterias de veículos elétricos.

As mudanças integram um plano anunciado no início deste ano, quando a reguladora do mercado de capitais chinesa, a CSRC, listou produtos espalhados por diferentes bolsas para receber capital estrangeiro. No médio e longo prazos, a abertura pressiona a hegemonia até então conhecida de bolsas ocidentais, que atualmente ditam quanto o mundo paga pelos metais.

“Pequim está incentivando suas próprias bolsas domésticas, a SHFE e a GFEX, a negociar commodities e a abrir suas portas para mais investimento estrangeiro”, disse ao Valor Adrian Gardner, analista de mercados de níquel da consultoria britânica Wood Mackenzie.

Atualmente, afirmou, investir diretamente no mercado chinês é um labirinto para estrangeiros. “Se estamos falando de uma instituição financeira estrangeira que quer atuar em commodities nas bolsas chinesas, ela não pode fazer isso [diretamente] agora. Existem maneiras, mas é mais caro e o caminho é indireto”, disse Gardner. Segundo ele, o processo exige o uso de corretores específicos e parceiros locais licenciados.

Contudo, acrescentou, Pequim tem sinalizado que está disposta a “afrouxar as amarras burocráticas” para atrair mineradoras e fundos globais interessados em negociar contratos de metais como níquel, cobre, entre outros. Na avaliação do analista, o objetivo é “apresentar as bolsas chinesas como fortes competidoras” da Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês) e da americana Comex, e, eventualmente, capturar volume de negócios que se concentra nessas instituições.

Mas a tarefa não é simples. Estudo recente publicado na revista científica Plos One mostra que a LME mantém com folga o papel de principal referência global de preços. De acordo com a pesquisa, que analisou conectividade de preços entre 2017 e 2024, a bolsa de Xangai ainda atua predominantemente como “receptora líquida” de impactos externos.

No caso do cobre, por exemplo, a LME é responsável por ditar 42,82% da variação dos preços percebidos na SHFE. E mesmo com esforços de internacionalização da China, disse o estudo, a liderança de preços de Xangai sofreu quedas em relação ao seu teto histórico, influenciado por barreiras institucionais e atritos regulatórios que o país tenta desatar

Entretanto, disse o analista, o governo chinês abandonou a postura histórica de proteger o mercado interno da influência externa. “Pequim recuou. Está claro que pretendem permitir que essas bolsas sigam em frente com seus próprios planos de desenvolvimento”, afirma.

A possibilidade de negociar diretamente na China gera entusiasmo no setor, especialmente pela chance de realizar operações de arbitragem, prática de lucrar com a diferença de preços entre diferentes bolsas.

“Para aquelas empresas que já estão parcialmente envolvidas no uso das bolsas chinesas, acho que elas estão muito animadas com o que está por vir”, diz.

Embora o volume de metal que mudará de mãos ainda seja incerto, a maior integração entre os mercados futuros chineses e global deve trazer nova onda de volatilidade aos preços a partir de 2027, segundo o analista. “O impacto será muito mais forte do que podemos entender atualmente”, diz ele, observando que o mercado ainda subestima o tamanho dessa transformação no mercado de metais.

[Fonte Original]

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