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quinta-feira, julho 30, 2026

Mario Quintana: o solitário poeta que passou o fim da vida em hotéis e agora viraliza nas redes sociais – BBC News Brasil

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Crédito, Arquivo Nacional

Legenda da foto, O poeta Mario Quintana, em fotografia de 1966

    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para BBC News Brasil
  • Published

  • Tempo de leitura: 10 min

“Todos esses que aí estão/ Atravancando meu caminho,/ Eles passarão…/ Eu passarinho!”

Versos simples, pontiagudos e bem-sacados sobre coisas cotidianas com a habilidade de um cronista. Textos curtos, mas intensos. O estilo marcante da poesia do gaúcho Mario Quintana (1906-1994), nascido há 120 anos, combina tão bem com a lógica das redes sociais que sua poesia acabou ganhando uma nova vida em posts contemporâneos, compartilhada mesmo por quem nem sequer sabe a autoria de tais versos.

“Ele faz parte das referências poéticas das pessoas comuns”, diz o professor e escritor Miguel Sanches Neto, reitor na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Para ele, os textos atribuídos a Quintana, “verdadeiramente ou falsamente”, demonstram que seu estilo “se impôs nos frequentadores das redes sociais”.

“Dadas as referências ao banal, à experiência humana de renúncia e de amor à vida, sua poesia é um pão e vinho sagrados, que se multiplicam entre os que têm fome de poesia”, analisa.

O escritor contemporâneo Saulo Florentino, que tem se debruçado sobre a presença da literatura nas redes sociais, associa essa fama atual de Quintana ao seu jeito de poetizar “sem se distanciar, sem confundir profundidade com complexidade”. “Tantas pessoas sentem que ele escreveu algo especialmente para elas”, diz.

[Fonte Original]

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