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domingo, agosto 16, 2026

Análise: Flávio ‘se veste’ de Bolsonaro e foca em segurança e economia

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Em seu primeiro ato de campanha como candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro decidiu vestir camiseta idêntica à usada por seu pai, Jair, quando sofreu um atentado a faca em 2018. A escolha da peça — amarela e com a frase “meu partido é o Brasil” — foi uma das muitas referências ao ex-presidente, em evento que buscou mesclar a lembrança da figura de Bolsonaro a acenos para insatisfeitos com a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera pesquisas de intenção de voto.

Em prisão domiciliar e condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro foi o principal tema dos primeiros minutos do discurso de Flávio. O candidato pediu a apoiadores presentes na Praia de Copacabana que saudassem o ex-presidente e reproduziu uma mensagem em áudio dele.

Na segunda parte de sua fala, Flávio buscou criticar o governo Lula, em discurso que tem como endereço não só a militância presente no evento, mas também o eleitorado independente que desaprova o governo Lula e tem percepção negativa sobre a economia, ao citar o número de 80 milhões de endividados e criticar o preço dos alimentos.

Segundo pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14), 48% dos eleitores independentes desaprovam a gestão atual, contra 40% que aprovam. Considerando o eleitorado geral, a situação é de empate técnico: 48% de desaprovação contra 46% de aprovação. Além disso, 49% consideram que a situação da economia piorou, contra 43% na leitura anterior.

Esses pontos também têm sido alvo de ações do governo Lula, que lançou o Desenrola 2.0 no início do ano com foco nos endividados. A campanha petista também tem buscado comparar indicadores da administração atual com os do governo Bolsonaro. Também neste domingo, o presidente lembrou, por exemplo, que a inflação do antecessor ficou em 6,2%, enquanto a atual está em 4,5%. Destacou ainda que a taxa de desemprego está em 5,4%, contra 8% registrada no governo do adversário.

Flávio também buscou se conectar com os insatisfeitos com Lula ao falar sobre segurança, citada por 33% do eleitorado como a principal preocupação, segundo a Quaest mais recente. O presidenciável prometeu que classificará o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas – medida considerada ineficiente por especialistas.

O candidato disse que o brasileiro perdeu a soberania por ter medo de ser roubado, em um movimento para responder ao discurso de defesa da soberania do PT, motivado por sanções impostas ao Brasil pelo governo Donald Trump, do qual Flávio e aliados são próximos.

O presidenciável do PL também buscou dar destaque à pauta anticorrupção, principalmente exaltando o candidato a vice, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi relator da CPMI do INSS. A corrupção é a maior preocupação de 15% dos eleitores, segundo a Quaest mais recente – em patamar semelhante ao da economia (15%) e saúde (14%).

A expectativa é que Flávio continue a evocar a imagem de Jair Bolsonaro nos próximos dias. Na segunda-feira, ele deve ir a Juiz de Fora (MG), cidade onde Bolsonaro sofreu a facada em 2018, para promover uma motociata até o local do ataque.

Ao longo da campanha, terá que detalhar propostas, que tem pontos considerados até agora genéricos, segundo especialistas ouvidos na semana passada pelo Valor. Entre outros pontos, o presidenciável promete reduzir as exceções do novo sistema tributário para reduzir a alíquota geral do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA), tarefa considerada de difícil execução.
16/08/2026 18:49:40

[Fonte Original]

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