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quarta-feira, agosto 12, 2026

Juros altos pesam e desaceleração bate à porta das empresas brasileiras

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Após um longo período de juros elevados, os sinais de desaceleração da atividade finalmente ficaram evidentes também nos balanços de empresas cíclicas domésticas, e não apenas nos indicadores macroeconômicos. É isso o que apontam estrategistas do Santander e do Bradesco BBI, com base nos resultados e nas teleconferências recentes.

“Parece que a atividade está desacelerando e as empresas estão começando a sentir. As empresas estão reduzindo o ‘guidance’ [projeção]… No balanço da semana passada, o ‘management’ da Localiza veio com um discurso mais negativo; o Banco Inter também trouxe uma visão pior para inadimplência…”, avalia a chefe de pesquisa e estratégia de ações do Santander, Aline Cardoso.

A profissional também menciona o caso da Lojas Renner, que registrou queda mais intensa do que o esperado do fluxo nas lojas físicas durante a Copa. A redução fez a varejista revisar a projeção de crescimento de receita líquida para 2026, que passou de uma faixa entre 9% e 13% para 4% e 8%, mencionando um desempenho de vendas abaixo do esperado no primeiro semestre, além de um ambiente competitivo mais desafiador.

Durante teleconferência, o CEO da Itaúsa, Alfredo Setubal, também adotou um tom mais pessimista. Ele disse que a companhia está orientando as empresas em que tem participação a prever um orçamento mais moderado e cauteloso, e a fazer cenários de estresse, a fim de estar preparadas “caso ocorra um desaquecimento mais forte ou uma situação política interna ou internacional que dê algum tranco no crescimento” da economia brasileira.

A piora nas perspectivas macroeconômicas elevou também a dispersão entre os balanços, aponta Cardoso. “Setores domésticos estão bem mais fracos que os de commodities. O setor financeiro decepcionou, assim como o de saúde, tirando Hypera e Fleury… Todas as empresas cíclicas vieram um pouco abaixo do esperado. Nem foi o resultado em si [que pesou], mas a comunicação do ‘management’ [diretoria] de que estão vendo uma desaceleração.”

A diferenciação entre os resultados também chamou a atenção do estrategista do Bradesco BBI, Pedro Grimaldi. Ele afirma que companhias ligadas a commodities, especialmente de petróleo, foram favorecidas pelo aumento nos preços, que chegaram a passar US$ 100 devido ao conflito no Oriente Médio.

Por outro lado, empresas cíclicas domésticas finalmente mostraram o impacto da perda de tração da atividade. “Essa desaceleração era esperada, mas demorou para vir dado o nível de juros. Estávamos com temporadas de balanços muito boas antes disso. Agora, estamos vendo os efeitos dessa política monetária restritiva.”

Embora reconheça que o ciclo de cortes de juros deste ano será menor do que o previsto inicialmente pelo mercado, Grimaldi diz ver espaço para a continuação do afrouxamento monetário em 2027.

“Ainda temos um ciclo. Teve uma discussão grande em junho sobre se o BC iria parar de cortar [a Selic] em agosto, mas ele cortou e deve cortar em setembro. No ano que vem, também temos espaço para um ciclo de cortes. Já vimos que só o fato de o juro estar caindo ajuda a levar de volta investimentos para ações. Estou com visão positiva para a bolsa local.”

Aline Cardoso, estrategista e chefe de pesquisa do Santander no Brasil. — Foto: Carol Carquejeiro/Valor.

[Fonte Original]

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