A Rússia atacou durante a madrugada o maior porto ucraniano de embarque de grãos no rio Danúbio, provocando danos e um incêndio, disseram autoridades nesta quinta-feira, depois que o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia precisa de mais mísseis americanos Patriot, utilizados na defesa aérea, para atravessar o inverno.
O porto de Izmail, próximo à fronteira com a Romênia, na região de Odessa, no sul da Ucrânia, é usado para exportações de grãos ucranianos e outras commodities. A administração regional de Izmail informou no Telegram que os ataques danificaram a infraestrutura portuária e interromperam o fornecimento de energia elétrica no sudeste da cidade.
O ataque ocorre um dia depois de a Ucrânia atingir Novorossiysk, um importante centro de embarque de grãos na parte russa do Mar Negro.
A Romênia, integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE), mobilizou dois caças, informou o Ministério da Defesa do país no X, acrescentando que um alvo aéreo permaneceu cerca de dez minutos no espaço aéreo romeno antes de retornar à Ucrânia.
Também na região de Odessa, um drone russo atingiu um trem de passageiros, matando o maquinista e seu auxiliar, afirmou Oleksandr Pertsovskyi, CEO da companhia ferroviária ucraniana, em uma publicação no Facebook.
Na noite de quarta-feira, Zelensky disse à CNN que a Ucrânia precisa de pelo menos 5% do atual estoque americano de mísseis interceptadores Patriot para se defender do aumento dos ataques russos com mísseis balísticos.
Kiev vem buscando obter mais mísseis PAC-3, o modelo mais recente do sistema Patriot, capaz de derrubar mísseis balísticos russos. As entregas de mísseis Patriot à Ucrânia diminuíram depois que a guerra contra o Irã desviou parte dos estoques.
Na entrevista, Zelensky afirmou que uma parcela equivalente a 10% do atual estoque americano de mísseis Patriot seria suficiente para impedir todos os ataques russos com mísseis balísticos.
“Vendam-nos 5%, e conseguiremos atravessar o inverno e salvar vidas. Se puderem nos vender 10%, destruiremos todos os mísseis balísticos dos russos. Eu tenho 1%”, disse ele à CNN.
Devido à velocidade e à trajetória acentuada, os mísseis balísticos são muito mais difíceis de interceptar do que drones e mísseis de cruzeiro.
Em julho, a Rússia disparou mais de 450 mísseis de diversos tipos contra a Ucrânia, mais da metade deles balísticos, afirmou Yuriy Ihnat, porta-voz da Força Aérea ucraniana, no Facebook.
Ele também disse que a Força Aérea deixará de divulgar diariamente os números de mísseis balísticos russos derrubados e neutralizados e passará a apresentá-los mensalmente.