O presidente Donald Trump disse nesta sexta-feira que declarará o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos em breve. “Depois que terminarmos de derrotar o Irã, declararei o Estreito de Ormuz território dos EUA”, afirmou o mandatário durante um discurso em Nova York.
Pouco antes, ele havia afirmado, em entrevista à Fox News, que os americanos têm controle firme sobre a via marítima, exaltando o que descreveu como um bloqueio semelhante a uma “muralha de aço” e alertando as autoridades iranianas contra novas ofensivas.
“Nós controlamos totalmente, somos donos, no sentido literal, somos donos do Estreito de Ormuz”, disse Trump ao canal. “Só permitimos que embarcações entrem se quisermos que entrem”, prosseguiu
Segundo o republicano, o bloqueio americano contra portos e embarcações iranianas está custando a Teerã “centenas de milhões de dólares todos os dias”. Ele também argumentou que as amplas sanções americanas estão pressionando o regime: “Se eles atacarem, nós responderemos com uma força 100 vezes maior”.
Trump ainda acrescentou que os EUA vão atingir duramente a economia da República Islâmica. As declarações foram feitas em momento no qual Washington e Teerã enfrentam dificuldades para chegar a um acordo que encerre o conflito no Oriente Médio que já dura quase seis meses.
Na quinta-feira, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, já havia afirmado, em entrevista à Newsmax, que os EUA anunciarão na próxima semana medidas “nunca vistas na história do isolamento econômico de um país” em uma nova ofensiva econômica contra Teerã. Segundo Bessent, a iniciativa fará parte de um “golpe duplo”, que combinará novas medidas financeiras à manutenção do bloqueio americano aos portos iranianos.
As negociações para uma paz duradoura entre os dois países permanecem paralisadas, enquanto confrontos esporádicos continuam afetando o transporte de petróleo e outras commodities pela região. Apesar disso, a República Islâmica já enfrentou sucessivas ondas de sanções ao longo dos anos sem ceder em relação a seu programa nuclear ou ao controle do Estreito de Ormuz.
A tensão na via marítima voltou a aumentar após dois navios da estatal Abu Dhabi National Oil Company serem atacados na quinta-feira. Os Emirados Árabes Unidos responsabilizaram o Irã, que não comentou o episódio imediatamente. O movimento de embarcações pela hidrovia, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural transportados no mundo antes da guerra, caiu drasticamente e parecia estar praticamente paralisado nesta sexta-feira, segundo dados de empresas de monitoramento marítimo.
Autoridades iranianas têm reiterado que não permitirão a reabertura da rota até que suas condições impostas aos americanos sejam atendidas – entre elas a retirada de sanções econômicas e a liberação de ativos congelados. Além disso, uma comissão do Parlamento iraniano aprovou na quinta-feira um plano do país para Ormuz que inclui um dispositivo que proíbe a passagem pelo estreito de embarcações, equipamentos e outros ativos dos EUA, de Israel e de outros países considerados “hostis”, informou a agência de notícias semioficial Tasnim.
Ao mesmo tempo, Trump enfrenta pressão interna para encerrar uma guerra considerada impopular, em um cenário de preços altos dos combustíveis nos EUA, que podem prejudicar o controle do Partido Republicano sobre o Congresso diante da aproximação das eleições de meio de mandato, em novembro.
Questionado pela Fox se o fato de o conflito se estender até perto do pleito o preocupava politicamente, Trump mencionou os preços da gasolina e seu esforço para impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear. “Eles não podem ter armas nucleares. É muito simples.”