20.5 C
Brasília
quinta-feira, agosto 27, 2026

Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Renan Santos à Globo

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, foi entrevistado nesta quarta-feira (26) pela Globo.

Conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli diretamente dos Estúdios Globo, no Rio, a entrevista faz parte de uma série realizada com presidenciáveis. É a primeira vez que as sabatinas com postulantes ao Palácio do Planalto são exibidas após o “Jornal Nacional”, e não durante o telejornal.

A emissora convidou os seis mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.

A programação é a seguinte:

A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Renan Santos. Leia:

“Os Estados Unidos não dispõem nem das terras raras no seu território, nem da extração, nem do processamento.”

A declaração é #FAKE. Veja por quê:

Segundo fontes oficiais do governo americano e a Agência Internacional de Energia, os Estados Unidos têm reservas de terras raras e fazem extração e processamento. Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de produtos como smartphones, TVs, câmeras digitais e LEDs. Mesmo usados em pequenas quantidades, são insubstituíveis.

O relatório “Sumário de commodities minerais” divulgado em maio pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e disponível para consulta no site oficial do órgão, indica que o território americano tem 1,9 milhão de toneladas de óxidos de terras raras.

Com relação à extração, há destaque para a MP Materials, empresa local que explora terras raras na mina e refinaria Mountain Pass, na Califórnia. Dados enviados em junho de 2026 pela MP Materials à Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla em inglês), órgão que atua na regulação do mercado de capitais dos Estados Unidos, mostram que a empresa produziu 50.692 toneladas de óxidos de terras raras em 2025, além de 2.599 toneladas de óxido de neodímio, com separação de terras raras pesadas em implantação. A empresa opera ainda a fábrica de ímãs Independence, em Fort Worth (Texas), e fechou em julho de 2025 um acordo com o Pentágono com preço mínimo garantido por dez anos.

Por fim, a Agência Internacional de Energia lista os Estados Unidos como um dos principais motores da diversificação do refino fora do território chinês, que detém quase o monopólio desse mercado. Segundo o documento “Perspectivas globais para minerais críticos de 2026”, publicado em maio, a produção refinada americana (liderada por projetos como o da MP Materials em Mountain Pass) atingiu 5 mil toneladas em 2025 (em termos de terras raras magnéticas contidas). Projeta-se, ainda alcance 9 mil toneladas em 2030 e 11 mil toneladas em 2040.

“Quem é o país que dispõe das segundas maiores reservas globais de terras raras? É justamente o Brasil.”

A declaração é #FATO. Veja por quê:

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) compila dados globais sobre reservas das chamadas terras raras.

O mais recente boletim do órgão, divulgado em fevereiro, aponta que o Brasil tem uma reserva de 11 milhões de toneladas destes elementos (a segunda maior do mundo). O volume só é superado por China (44 milhões de toneladas) e supera as cifras de Austrália (6,3 milhões), Rússia (3,8 milhões) e Vietnã(3,5 milhões).

O uso mais importante dessas substâncias conhecidas como “terras raras” está na fabricação de ímãs permanentes. Potentes e duráveis, eles mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Graças a isso, é possível produzir peças menores e mais leves, algo essencial por exemplo, para tecnologias, turbinas eólicas e veículos elétricos.

Esses elementos também são fundamentais para a indústria de defesa. Estão presentes em aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser. Justamente por essa relevância estratégica, o valor comercial é elevado.

“Se os Estados Unidos da América, que são a nação hoje mais poderosa do mundo, não fizeram a lição de casa, deixaram a China ficar com todo o processamento de terras raras do mundo neste instante […].”

#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:

Como mostra o relatório “Perspectivas globais para minerais críticos de 2026”, publicado em 21 de maio pela Agência Internacional de Energia, a China não controla todo o processamento de terras raras do mundo – mas o país é, de longe, dominante no segmento, com: 85% de todo o refino desses elementos, segundo dados de 2025.

A agência projeta também que essa participação chinesa caia para 73% até 2035. Em um segundo cenário, em que todos os projetos anunciados internacionalmente entrem em operação nos próximos dez anos, o percentual da China poderia cair para 70%.

“Dentre as principais nações do mundo […], que têm muito território, muita população e grande economia, e [se] a gente blocar União Europeia, Rússia, Índia, Estados Unidos, China e Brasil, essas são as maiores nações. A única que não dispõe de armas nucleares é o Brasil.”

A declaração é #FATO. Veja por quê:

Entre os países e o bloco citados por Renan Santos, o Brasil é o único que realmente não tem armas nucleares. A Constituição brasileira determina que atividades nucleares em território nacional devem ter fins pacíficos e exigem aprovação do Congresso Nacional.

Segundo um levantamento de janeiro de 2025 do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), apenas nove nações dispõem desses artefatos (veja infográfico a seguir).

A Rússia tem o maior arsenal, com 5.459 ogivas nucleares, e é seguida pelos Estados Unidos, com 5.177. Juntos, eles representam 90% do estoque mundial.

Na sequência, vêm China (600), França (290) – o único membro da União Europeia com armas nucleares – , Reino Unido (225), Índia (180), Paquistão (170), Israel (90) e Coreia do Norte (50).

Participaram da checagem: Camila Zarur, Camilla Alcântara, Carolina Callegari, Gustavo Petró, Jorge Fofano, Marcelo Parreira, Mel Trench, Roney Domingos e Vinícius Cassela.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img