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terça-feira, agosto 4, 2026

Ibovespa Recua e Petróleo Desaba Enquanto Dólar Sobe ante Ao Real

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O Ibovespa fechou praticamente estável nesta terça-feira, após superar os 180 mil pontos, pressionado principalmente por Itaú Unibanco, antes da divulgação do balanço do segundo trimestre, e Petrobras, com novo declínio do preço do petróleo no exterior

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,06%, a 177.894,97 pontos, após chegar a 180.679,47 na máxima e marcar 177.580,77 na mínima do dia.    

Internamente, o IBGE reportou queda de 1,8% na produção industrial em junho ante maio e alta de 1,7% ano a ano, enquanto projeções de economistas compiladas pela Reuters apontavam retração de 0,8% no mês e avanço de 3,0% na base anual.

Investidores também estão na expectativa da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a Selic no final da quarta-feira, com previsão majoritária de corte de 0,25 ponto percentual, para 14%.

Entre as empresas, a temporada de balanços ocupou as atenções, com os resultados de companhias como BB Seguridade, Marcopolo e ISA Energia, além de outros papéis que não estão no Ibovespa, como Bradsaúde e Pague Menos.

A agenda do dia ainda reserva os números de C&A, Gerdau, Iguatemi, Itaú Unibanco, Prio e RD Saúde, entre outros.

De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue sem direção definida e encontrará sua primeira resistência nos 179.500 pontos. Em caso de queda, afirmaram, o índice encontrará suportes em 172.200 e 167.600 pontos.

“Seguiremos para os próximos dias com um Ibovespa estável e à espera do próximo grande movimento de 2026”, afirmaram no relatório Diário do Grafista.

Destaques

• VALE ON avançou 2,24%, acompanhando o movimento de mineradoras no exterior, apesar de nova queda dos futuros dominério de ferro na China. O presidente da companhia, Gustavo Pimenta, também afirmou nesta terça-feira que a Vale desacelerou seus projetos para o desenvolvimento de complexos industriais (“mega hubs”) no Oriente Médio com parceiros diante da guerra no Irã. No setor, CSN ON subiu 6,21%, após cinco quedas seguidas, período em que acumulou uma perda de 21%. Investidores seguem acompanhando as negociações envolvendo a unidade de cimentos do grupo. Fontes afirmaram à Reuters que a CSN está realizando uma segunda rodada de propostas, visando fechar um negócio até o fim do ano.

• PETROBRAS PN cedeu 1,28%, em novo dia negativo no setor diante do declínio dos preços do petróleo no exterior. A diretora de engenharia, tecnologia e inovação da estatal, Renata Baruzzi, disse nesta terça-feira que a sonda da Petrobras em atividade exploratória na área de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, ainda não atingiu o reservatório, o que deve acontecer neste mês.No setor, BRAVA ON perdeu 4,58% tendo no radar também o leilão da oferta pública (OPA) a ser realizada pela colombiana Ecopetrol para aquisição do controle da petrolífera na quarta-feira. PRIO ON, que reporta balanço ainda nesta terça-feira, cedeu 0,09%.

• ITAÚ UNIBANCO PN fechou em baixa de 2,48%, acentuando as perdas à tarde, tendo no radar resultado do segundo trimestre após o fechamento do mercado. Previsões de analistas compiladas pela Reuters apontam lucro líquido R$12,5 bilhões para o período de abril a junho. No setor, BRADESCO PN, que divulga seus números no final da quarta-feira, fechou em queda de 1,7%, BANCO DO BRASIL ON caiu 1,32% e SANTANDER BRASIL UNIT subiu 0,59%.

• BB SEGURIDADE ON valorizou-se 1,72%, após balanço do segundo trimestre divulgado na noite da véspera, com lucro líquido ajustado de R$2,15 bilhões, queda de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025. O braço de seguros e previdência do Banco do Brasil está trabalhando com avaliação de que o fenômeno climático El Niño deve gerar efeitos pouco relevantes para seus resultados neste ano, embora veja riscos para o próximo ano, a depender de como chuvas impactarem o setor agrícola no centro-sul do país.

• MARCOPOLO PN caiu 10,43% na esteira da repercussão do resultado do segundo trimestre apresentado na segunda-feira, após o fechamento do mercado, que mostrou lucro líquido de R$271 milhões, uma queda de 15,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com piora em margens. O Ebitda encolheu 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$339 milhões, com a margem nessa linha caindo de 17,3% para 14,3%. Analistas do Citi avaliaram que a companhia reportou um segundo trimestre fraco, principalmente devido a um mix de entregas menos favorável no Brasil.

• ISA ENERGIA PN recuou 0,86%, um dia após reportar lucro líquidode R$174 milhões no segundo trimestre, 32% abaixo do apurado um ano antes. À Reuters, a diretora financeira da ISA Energia, Silvia Wada, afirmou que a companhia decidiu não participar do leilão de transmissão programado para o segundo semestre deste ano, mas que continua a avaliar o certame voltado à contratação de baterias.

• BRADSAÚDE ON, que não está no Ibovespa, perdeu 11,56%, após acompanhia de planos de saúde e rede de hospitais do grupo Bradesco reportar uma alta de quase 25% no lucro líquido do segundo trimestre, para R$1,11 bilhão, mas piora na sinistralidade. Os papéis também vinham de uma série de quatro altas, período em que acumularam uma valorização de 7,7%.

• PAGUE MENOS ON, que não está no Ibovespa, fechou em alta de 8,92%, após o grupo de varejo farmacêutico reportar na véspera lucro líquido ajustado de R$73,6 milhões no segundo trimestre, alta de 22,2% ante o mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado cresceu 15,4%, para R$281,7 milhões, com a margem nessa linha passando de 6,1% para 6,5%, conforme o balanço. “A companhia conseguiu entregar uma margem Ebitda recorde, sustentada por uma gestão disciplinada das despesas com vendas, gerais e administrativas e por uma alavancagem operacional relevante”, afirmaram analistas da XP.

Petróelo

Os preços futuros do petróleo desabaram mais de 5% nesta terça-feira (04), caindo para abaixo da marca dos US$ 80 por barril. A forte liquidação foi impulsionada por sinais crescentes de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã para encerrar o bloqueio no Estreito de Ormuz, eliminando grande parte do prêmio de risco geopolítico que sustentava as cotações nas últimas semanas.

O contrato do petróleo Brent para entrega em outubro recuou 5,26%, fechando cotado a US$ 79,36 por barril, enquanto o petróleo WTI para setembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou em queda de 5,69%, a US$ 75,77 o barril.

O alívio nas cotações acelerou após declarações do governo norte-americano sobre negociações mediadas por Omã para reabrir a navegação comercial na região, diminuindo os receios de um desabastecimento global.

Paralelamente, o mercado passou a precificar o aumento gradual de produção já programado pela OPEP+, o que amplia a oferta física em um momento de incertezas sobre a demanda de refinarias. Essa combinação de fatores diplomáticos e fundamentais rompeu suportes técnicos importantes ao longo da sessão, disparando ordens automáticas de venda e levando a commodity aos seus menores níveis do mês.

Dólar fecha em alta ante real antes de anúncio de sanção dos EUA à embaixadora brasileira

O dólar fechou com alta ante o real, refletindo o temor de novas sanções dos Estados Unidos ao Brasil, além da expectativa de novos cortes da taxa básica Selic.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,84%, aos R$5,1304. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,53%.

Com o mercado à vista já fechado, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da missão brasileira nos EUA, foi cancelado.

Às 17h32, já após essa notícia, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido — subia 0,62% na B3, aos R$5,1570.

No início do dia o dólar chegou a operar em queda ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante divisas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, em meio à expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz.

No entanto, o dólar ganhou força gradativamente ante o real pela manhã e, durante a tarde, acelerou com a notícia de que o Brasil esperava pelo anúncio de novas sanções diplomáticas dos EUA. A notícia foi dada pelo site da Exame.

As novas sanções seriam uma reação dos EUA após o governo brasileiro ter negado vistos para duas autoridades norte-americanas que viriam ao país para, na visão do Planalto, interferir nas eleições de outubro.

Assim, após atingir a cotação mínima intradia de R$5,0707 (-0,33%) às 9h01, o dólar à vista marcou a máxima de R$5,1480 (+1,19%) às 15h47.

O pico do dólar ocorreu em paralelo às máximas das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) em vários vencimentos e à perda de força do Ibovespa.

Durante o dia, profissionais ouvidos pela Reuters também citaram, como justificativa para o dólar forte, a expectativa de que o Banco Central anuncie novo corte de 25 pontos-base da taxa Selic na quarta-feira, para 14,00% ao ano, podendo promover outra redução de 25 pontos-base em setembro.

Essa possibilidade foi reforçada pela manhã por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que a produção industrial caiu 1,8% em junho ante maio, mais que a retração de 0,8% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com junho de 2025, houve alta de 1,7%, também abaixo da projeção de 3,0%.

“A precificação (de corte de 25 pontos-base da Selic na quarta-feira) já vinha sendo feita. Nosso juro real continua bom, mas um pouco pior do que estava antes, e a produção industrial abaixo do esperado acaba dando espaço para a Selic cair mais”, comentou durante a tarde Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

De acordo com Gomes, o recuo do petróleo Brent, para abaixo dos US$80 o barril, também justificava o avanço do dólar ante o real.

No exterior, porém, a moeda norte-americana operava em queda ante várias divisas no fim da tarde. Às 17h16, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,15%, a 99,863.

[Fonte Original]

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