O Bitcoin voltou a superar os US$ 80 mil nesta quinta-feira (27), mantendo o rali iniciado na semana passada e sustentado pela volta da demanda institucional. Apesar disso, a maior criptomoeda do mercado perdeu força no início desta manhã, negociando em torno de US$ 79.500, depois de tocar máxima intradiária de US$ 80.472.
Nesta manhã, o Bitcoin tem alta de 1,5%, cotado a US$ 79.589 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 411.176, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, avança 2,3%, a US$ 2.503. Já o XRP tem ganhos de 0,9%, enquanto a Solana dispara 8,2% e a BNB sobe 1,7%.
O movimento ocorre em meio à maior sequência de entradas em ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos desde abril. Os fundos registraram cerca de US$ 232 milhões em captação líquida na quarta-feira, no oitavo pregão consecutivo de fluxo positivo, segundo dados da SoSoValue. No período, os ETFs atraíram aproximadamente US$ 2,8 bilhões.
A sequência ajuda a sustentar a leitura de que o rali deixou de depender apenas da liquidação de traders vendidos. Na semana passada, o rompimento do Bitcoin acima de US$ 69 mil foi acelerado por um short squeeze bilionário, depois que o Tesouro dos Estados Unidos anunciou a ampliação das recompras de títulos de longo prazo. Mas, com oito dias seguidos de entradas nos ETFs, o mercado passou a ver sinais mais claros de demanda à vista.
O cenário também favoreceu ações ligadas ao setor cripto. Com o Bitcoin de volta à região dos US$ 80 mil, papéis como Strategy, Coinbase e outras empresas do setor avançaram nos últimos dias. O BTC superou a marca nesta semana com dólar mais fraco e maior apetite por cripto, enquanto ações do setor acompanharam o movimento.
ETFs sustentam alta, mas altcoins perdem fôlego
A força dos ETFs aparece também nos números de agosto. As entradas nos fundos de Bitcoin já passam de US$ 3 bilhões no mês, o melhor resultado mensal de 2026 até agora. Ainda assim, os produtos seguem negativos no acumulado do ano em cerca de US$ 2,5 bilhões, o que mostra que a recuperação recente ainda recompôs apenas parte das saídas registradas entre maio e julho.
O destaque continua sendo o IBIT, da BlackRock, que concentrou a maior parte das entradas recentes. Segundo a CoinDesk, o fundo absorveu cerca de 62% do fluxo de segunda-feira e aproximadamente US$ 1,3 bilhão na semana passada.
Os ETFs de Ethereum também mantêm uma sequência positiva. Os fundos de ETH somaram cerca de US$ 192 milhões em entradas na quarta-feira e já passam de US$ 1 bilhão durante a atual sequência de oito dias. Produtos ligados a XRP, HYPE e Solana também registraram captações, ainda que em volumes menores.
Por outro lado, a pausa nas altcoins mostra que o mercado começa a ficar mais seletivo depois da euforia da semana passada. O Bitcoin segue sustentado pelos fluxos institucionais, mas ativos de maior risco já dão sinais de realização de lucros.
O pano de fundo macro continua sendo central. A alta recente começou após o Tesouro dos EUA dobrar o tamanho das recompras de títulos longos, movimento que derrubou juros e dólar e melhorou o apetite por risco. O Bitcoin ganhou força com a combinação de dólar mais fraco e temores de desvalorização monetária, chegando a acumular alta de 28% em agosto, o que pode marcar seu melhor mês desde novembro de 2024.
Agora, o mercado aguarda novos sinais sobre inflação e juros nos Estados Unidos. Uma leitura mais branda dos dados de inflação ou um tom menos duro do Federal Reserve pode ajudar o BTC a sustentar a faixa dos US$ 80 mil e mirar resistências mais altas. Por outro lado, qualquer sinal de juros longos novamente pressionados pode colocar à prova a força do rali.
Para o curto prazo, a região dos US$ 80 mil segue como ponto psicológico importante. Se o Bitcoin conseguir se manter acima desse patamar com entradas contínuas em ETFs, a alta pode ganhar nova tração. Mas, se os fluxos perderem força ou as altcoins seguirem realizando, o BTC pode voltar a testar suportes formados entre US$ 77 mil e US$ 79 mil.
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