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terça-feira, agosto 18, 2026

Brasil tem 29 milhões de investidores em cripto, mais que na bolsa, diz Datafolha

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O Brasil já tem cerca de 29 milhões de pessoas que investiram ou investem em criptomoedas, segundo a 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pela Paradigma e pelo Datafolha. O número equivale a 17,2% dos brasileiros e mostra que os ativos digitais deixaram de ser um nicho restrito a investidores especializados.

O dado mais chamativo é a comparação com a bolsa. De acordo com o levantamento, 2,3 vezes mais brasileiros já colocaram dinheiro em cripto do que em ações, que aparecem com 7,4% de penetração entre os entrevistados. A chamada “cripto-população” também já seria maior que a torcida do Corinthians, a segunda maior do país, estimada em 25 milhões de pessoas no relatório.

A pesquisa foi feita presencialmente em 137 municípios, entre 11 e 14 de maio de 2026, com 2.004 entrevistados. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O universo considerado é de 168,9 milhões de brasileiros com mais de 16 anos.

O avanço confirma uma mudança importante no mercado financeiro brasileiro. A poupança ainda lidera com folga entre os locais onde o brasileiro já colocou dinheiro, com 57,1%, seguida por imóveis, dinheiro em casa e fundos de investimento. Mas as criptomoedas já aparecem à frente de títulos públicos ou CDB, dólar, ouro e ações na bolsa.

Cripto não é fenômeno da elite

O levantamento também mostra que a adoção de criptomoedas no Brasil não está concentrada apenas nas faixas de renda mais altas. Entre os brasileiros que já colocaram dinheiro em cripto, 77,6% ganham até 3 salários mínimos. A maior fatia está nas faixas de até 1 salário mínimo e de 1 a 2 salários mínimos.

Esse dado ajuda a explicar por que o relatório chama as criptomoedas de “moeda do povo”. Embora o tema ainda seja associado a tecnologia, investimento alternativo e maior risco, a base de usuários já alcança uma parcela relevante da população de renda mais baixa.

O conhecimento sobre o tema também cresceu. Segundo a pesquisa, 66,4% dos brasileiros conhecem criptomoedas, alta de 10,1 pontos percentuais em relação à edição anterior.

O Bitcoin continua sendo, de longe, a criptomoeda mais conhecida no país: 60,7% dos brasileiros dizem conhecer o BTC, mesmo que apenas de ouvir falar. Na sequência aparecem Ethereum, com 11,1%, Drex, com 10,3%, USDC, com 5,5%, XRP, com 5,4%, Dogecoin, com 5,3%, Solana, com 5,2%, e Tether, com 2,7%. Um dado curioso do levantamento é que o Drex é 3,8 vezes mais conhecido que a Tether, apesar de a stablecoin representar o maior volume reportado no mercado nacional.

O crescimento foi especialmente forte no Centro-Oeste. A região teve avanço de 25,8 pontos percentuais no conhecimento sobre cripto, 2,6 vezes acima da média nacional, e passou o Sudeste nesse recorte.

Investidor cripto já olha para o Congresso

A pesquisa também indica que criptomoedas começam a ganhar peso político. Entre os brasileiros que têm ou já tiveram cripto, 65,8% consideram importante votar em deputado ou senador comprometido em proteger os direitos de quem tem ativos digitais.

Esse percentual sobe para 85% entre usuários de corretoras de cripto e chega a 89,6% entre quem faz autocustódia, ou seja, guarda suas próprias chaves em carteiras digitais.

O dado aparece em um momento em que o setor discute temas como regulação, tributação, autocustódia, uso de stablecoins, proteção do investidor e regras para exchanges. Para quem já tem cripto, esses temas parecem deixar de ser apenas técnicos e passam a influenciar também a forma como parte desse público olha para o Congresso.

O relatório afirma ainda que a cripto-população é mais centrista e mais engajada politicamente que a média nacional. Entre quem já colocou dinheiro em cripto, 21,6% se declaram de centro, contra 15,5% da população geral. Além disso, apenas 9,9% não sabem ou não se posicionam politicamente, contra 16,4% no país como um todo.

Conhecimento cresce, mas complexidade ainda trava adoção

Apesar do avanço, a pesquisa mostra que ainda existem barreiras importantes para a expansão do mercado. Entre os brasileiros que conhecem cripto, 59% acreditam que os ativos digitais são uma boa forma de diversificar investimentos. Entre jovens de 16 a 24 anos, esse percentual sobe para 78%.

Ao mesmo tempo, 77% de quem conhece criptomoedas vê a tecnologia como complexa. Entre aqueles que nunca compraram cripto, 42% dizem não entender o tema o suficiente, o que indica que educação financeira e clareza na comunicação ainda são desafios centrais para o setor.

A autocustódia também avançou, mas segue restrita a uma parcela menor da população. Segundo o levantamento, 4% dos brasileiros já usaram uma carteira própria de cripto, quase o dobro dos 2,2% registrados em 2025. Isso representa cerca de 6,75 milhões de pessoas, número comparado pelo relatório à população de um estado como o Maranhão.

A principal porta de entrada segue sendo mais simples e conhecida pelo público. Entre quem já colocou dinheiro em cripto, 83% usaram o app do banco, enquanto 26% usaram carteira própria, 20% corretora de cripto e 18% fundos ou ETFs.

O retrato final é de um mercado que já alcançou escala de massa no Brasil, mas ainda enfrenta desafios de entendimento, confiança e educação. As criptomoedas já superaram a bolsa em penetração entre brasileiros, chegaram a diferentes faixas de renda e começam a aparecer até no debate político. A próxima etapa será transformar esse alcance em uso mais informado e menos dependente de ciclos de alta do mercado.

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[Fonte Original]

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