Efeitos do El Niño sobre alimentos pressionam inflação até o fim do ano, aponta FGV

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Os efeitos do El Niño sobre os alimentos abrem espaço para que a inflação no país aumente até o fim do ano. A afirmação é de André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

A primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), divulgada nesta sexta-feira (9), subiu 0,58% em outubro, contra 0,93% na primeira prévia de setembro. Entre os três grupos que formam o IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% no indicador final, subiu 0,67%, ante alta de 1,26% na primeira prévia do mês passado.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no IGP-M, oscilou para 0,38%, de +0,09% na primeira prévia de setembro. E o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), que responde por 10% do IGP-M, teve alta de 0,34%, ante elevação de 0,35% em igual prévia de setembro.

Braz afirma que, mesmo no IPA, que desacelerou entre a primeira prévia de setembro e a primeira medição de outubro, nota-se a pressão do El Niño. Entre as maiores pressões de alta no atacado na primeira prévia deste mês, a soja em grão subiu 2,99%, o farelo de soja avançou 7,62% , a carne bovina ficou 3,28% mais cara e os bovinos subiram 1,73%.

“O El Niño age de duas maneiras, tanto na formação de expectativas — então mesmo antes de dar problema o aumento do risco também pode implicar aumento de preços — quanto quando isso se materializa em prejuízo. Se chover em excesso ou mesmo a falta de chuvas em algumas lavouras trazendo prejuízo, pode materializar um período de maior aumento de preços, tanto para as commodities quanto também para os produtos derivados dessas commodities”, diz Braz.

Ele acrescenta que, por enquanto, alguns desses produtos estão subindo de preço e, mais pra frente, algumas matérias-primas vão refletir parte desses aumentos. “E eu coloco na conta desse fenômeno climático”, afirma. “De fato, o IPA antecipa um cenário um pouco mais difícil para o consumidor”, acrescenta.

Braz lembra o resultado desta sexta-feira do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,82% em setembro, revertendo a queda de 0,34% de agosto. O grupo alimentação e bebidas “subiu muito”, nas palavras do economista em relação à alta de 0,83% do grupo no mês passado, contra uma deflação de 0,32% em agosto.

Segundo ele, a alta dos alimentos no IPCA acontece por conta da sazonalidade, mas também devido aos efeitos climáticos. Braz ressalta que a alimentação está pressionada no IPA, enquanto no IPC, a sazonalidade afeta produtos in natura. “Quando esses impactos do IPA chegarem no varejo, vai ser uma nova fonte de pressão a se somar à que já existe. Então, eu digo que tem espaço para a inflação avançar pelo menos até o fim do ano”, diz.

Braz acredita que o IPCA chegue a cerca de 5% em 12 meses no fim do ano, “ou até um pouco mais do que isso em função desses acontecimentos”. “A gente tem um período um pouco mais turbulento de pressões pela frente.”

[Fonte Original]

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