A presidente da distrital de Boston do Federal Reserve (Fed), Susan Collins, defendeu a necessidade de ajustes adicionais nas taxas de juros até o fim deste ano, na medida em que se mostrou mais preocupada com os riscos inflacionários, embora tenha condicionado sua visão à evolução dos indicadores econômicos.
“Diante de riscos elevados de uma inflação persistentemente alta, mas de riscos mais limitados de deterioração da economia real e do mercado de trabalho, acredito que seja apropriado que o Fed concentre sua atenção na dimensão da inflação do duplo mandato.”
As declarações de Collins foram dadas na tarde desta terça-feira em discurso em Boston. Para a dirigente, é apropriado elevar um pouco mais os juros antes do fim do ano “para assegurar um retorno tempestivo e duradouro da inflação à meta de 2% do comitê”. Ela, porém, destacou que sua avaliação sobre a necessidade de novos ajustes nas taxas de juros e sobre o momento apropriado para que eles sejam adotados dependerá da evolução do conjunto de dados.
Durante o discurso, a dirigente, que não tem direito a voto nas reuniões de política monetária neste ano, afirmou que as condições gerais do mercado de trabalho estão estáveis e compatíveis com o cumprimento da dimensão do emprego do mandato do Fed. Ela observou que a taxa de desemprego permanece baixa e que as contratações aceleraram um pouco neste ano, especialmente em relação ao ritmo fraco observado na segunda metade de 2025.
“Um mercado de trabalho estável e próximo do pleno emprego está ajudando a sustentar gastos relativamente robustos dos consumidores, com os ganhos de riqueza das famílias decorrentes da valorização das ações e dos imóveis também oferecendo um importante suporte”, observou Collins. Além disso, para ela, há uma força considerável nos investimentos das empresas, principalmente relacionados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Ao avaliar o cenário de inflação, a dirigente se mostrou preocupada com o fato de a inflação estar “consideravelmente acima” da meta de 2% há cinco anos e meio e enfatizou que, embora os indicadores recentes tenham trazido notícias promissoras, “outros acontecimentos têm sido menos favoráveis”. Para ela, a inflação cheia e os núcleos devem voltar a ficar acima da meta nos próximos meses e, até por isso, “será importante acompanhar se a inflação elevada continuará concentrada, em grande medida, nas categorias relacionadas à energia e à expansão da infraestrutura de IA”.
Collins disse considerar um cenário-base, em que a inflação retorna gradualmente à meta de 2%, mas disse ver dois cenários alternativos como “particularmente relevantes”. Em um deles, a demanda relacionada à IA se mostra mais forte do que o esperado e gera investimentos ainda maiores em data centers, o que pode indicar mais à frente um mercado de trabalho superaquecido e inflação mais elevada. Já o outro cenário contempla pressões adicionais decorrentes de tarifas e preços de energia, também com reflexos sobre a inflação.