A inflação apurada pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) acelerou de 1,47%, em setembro, para 1,76%, em outubro, maior taxa desde abril (2,94%), informou, nesta segunda-feira (19), a Fundação Getulio Vargas (FGV). A disparada de preços no atacado, 60% do indicador, puxou o resultado, informou Matheus Dias, economista da fundação.
Ele não descartou novas altas de mesma magnitude nos próximos resultados. Isso porque, entre commodities mais caras no setor atacadista, que ajudaram a elevar o indicador, estão derivados de petróleo. E, no entendimento de Dias, ainda não se sabe se a cotação do petróleo vai parar de subir devido a conflitos ainda intensos em regiões produtoras – o que afeta o ritmo de oferta.
Ao detalhar o comportamento do indicador, o especialista citou a aceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo -10 (IPA-10), que passou de 1,90% a 2,36%, de setembro para outubro. Todas as cinco altas mais relevantes no atacado em outubro foram originadas de commodities. É o caso dos aumentos em soja em grão (4,80%), gasolina automotiva ( 16,03%), farelo de soja (8,30%), bovinos (2,14%) e álcool etílico ( 12,26%).
“Tivemos, principalmente, os produtos industriais puxando esse resultado [de alta]”, disse. “Combustíveis, tanto gasolina automotiva quanto álcool, com altas principalmente devido a questões de impacto do petróleo [mais caro]”, afirmou. O álcool é mais demandado quando derivados de petróleo ficam mais caros devido à composição de gasolina, no Brasil – que leva o item em sua composição.
Nem mesmo a menor pressão de preços do varejo, 30% do indicador, impediu a taxa maior do IGP-10, de setembro para outubro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) diminuiu de 0,44%, para 0,39%. Isso se deu, em grande parte, por conta de energia elétrica.
A variação de tarifa de eletricidade residencial passou de 7,01% para -0,62%, no mesmo período. Esse item subiu muito de preço em setembro, por conta de retirada de “bônus de Itaipu”, que ocorre em agosto. Esse desconto foi automático, aplicado na conta de luz, que devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados pela operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu.
Ao ser questionado sobre se próximos resultados de Índices Gerais de Preços (IGPs) podem subir tanto quanto o IGP-10 de outubro, o especialista foi cauteloso. Mas admitiu possibilidade. “A magnitude das elevações vai depender do quanto o petróleo vai impactar a cadeia [de derivados de combustíveis]”, disse.
Afinal, lembrou, persistem conflitos envolvendo grandes produtores de petróleo ou que comandam rotas de transporte da commodity, como Estados Unidos, Irã, houthis e Arábia Saudita. O especialista lembrou que, em abril, quando o IGP-10 subiu 2,94%, o indicador também foi pressionado para cima por conta de conflitos no Oriente Médio.
“Acredito que possamos ter novamente uma alta tão forte quanto essa se esses fatores [de conflito, a impulsionar cotação de barril de petróleo] se mantiverem presentes”, admitiu.