A ditadura chavista da Venezuela reagiu de forma agressiva a uma declaração do ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, que descartou a possibilidade de Montevidéu restabelecer relações diplomáticas com Caracas, ao argumentar que a ditadora interina Delcy Rodríguez é tão ilegítima quanto Nicolás Maduro, capturado em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro.
“Nada mudou. Houve eleições [em 2024, fraudadas por Maduro] que contestamos. Delas surgiu um presidente que agora, além de tudo, está preso nos Estados Unidos, e desse presidente surge uma presidente tão ilegítima quanto ele”, declarou Lubetkin ao jornal brasileiro Folha de S.Paulo, em entrevista publicada nesta segunda-feira (12).
No X, Félix Plasencia González, ministro das Relações Exteriores e Comércio Internacional da ditadura chavista da Venezuela, disse que Caracas “rejeita as visões obsoletas e arrogantes que desrespeitam a soberania e a autodeterminação dos povos e que nada têm a ver com o processo de transformação que a Venezuela conduz por meio do diálogo político para a convivência democrática”.
“Declarações e posturas desse teor constituem uma intromissão inadmissível. O futuro da Venezuela será definido pelo seu povo, em estrita observância à sua Constituição e ao seu ordenamento jurídico”, acrescentou o chanceler venezuelano.
Também no X, William Castillo Bollé, vice-ministro de Políticas Antibloqueio da Venezuela, foi agressivo na sua resposta a Lubetkin.
“Ah, é, grande coisa. Quem c* é o governo woke dessa província argentina que é o Uruguai para questionar o Estado venezuelano?”, afirmou – o presidente uruguaio é o esquerdista Yamandú Orsi.
“Dediquem-se a resolver seus problemas e parem de praticar esse intervencionismo estúpido, de baixo orçamento”, completou Castillo.
Os dois países romperam relações em 2024, após as eleições fraudadas por Maduro para continuar no poder e quando o conservador Luis Alberto Lacalle Pou ainda era o presidente uruguaio. Orsi, seu sucessor, não retomou as relações com Caracas.