Por que investidores de ETFs não querem Dogecoin? CEO da Bitwise explica

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O interesse dos investidores por criptomoedas pode mudar significativamente dependendo da forma como esses ativos são oferecidos. Segundo Hunter Horsley, CEO da gestora Bitwise, a popularidade de uma moeda digital entre usuários de exchanges não significa necessariamente que ela conseguirá atrair recursos quando chegar ao mercado tradicional por meio de um ETF.

A avaliação foi apresentada pelo executivo durante entrevista ao The Block no Digital Asset Summit 2026 Asia. Horsley citou como exemplo a Dogecoin (DOGE), uma das memecoins mais conhecidas do mercado, que não conseguiu conquistar investidores por meio do fundo lançado pela Bitwise.

“Os usuários de ETFs simplesmente não quiseram colocar dinheiro em Dogecoin, mas isso pode mudar com o tempo”, afirmou o executivo.

A declaração ocorre após a Bitwise anunciar o encerramento de seu ETF de Dogecoin, lançado em novembro de 2025. Apesar da popularidade da criptomoeda, o produto acumulava apenas US$ 725,9 mil em patrimônio líquido em 7 de outubro, enquanto seu volume de negociação somou aproximadamente US$ 51,5 mil durante todo o mês de setembro.

Horsley afirmou que gosta da Dogecoin e que mantém a criptomoeda em sua carteira pessoal, mas reconheceu que a demanda pelo ativo não se repetiu entre os investidores de fundos negociados em bolsa.

“Eu gosto de Dogecoin, tenho Dogecoin. Acho que ela é autêntica ao que representa. É um token inútil, pelo menos historicamente, mas representa alguma coisa”, disse.

Para o executivo, a experiência mostra que existem diferenças importantes entre o público acostumado a comprar criptomoedas diretamente e aquele que prefere acessar o setor por meio de produtos financeiros tradicionais.

Enquanto memecoins podem atrair investidores interessados em comunidades digitais, especulação e movimentos de curto prazo, compradores de ETFs podem priorizar ativos com outras características, como utilização em aplicações financeiras ou potencial de crescimento de suas redes.

O executivo rejeitou, porém, a ideia de que a Bitwise tenha escolhido o público errado ao lançar o fundo. Segundo ele, a função da gestora é oferecer diferentes possibilidades de investimento e avaliar quais delas encontram demanda.

Solana atrai US$ 1,3 bilhão enquanto Dogecoin não encontra demanda

O contraste com outros fundos da Bitwise ajuda a explicar a avaliação de Horsley sobre o comportamento dos investidores.

Enquanto o ETF de Dogecoin não conseguiu reunir sequer US$ 1 milhão em patrimônio, o Bitwise Solana Staking ETF (BSOL) já acumulava aproximadamente US$ 1,3 bilhão em ativos líquidos.

O executivo atribuiu parte do desempenho à possibilidade de realizar staking, mecanismo pelo qual criptomoedas são utilizadas para ajudar a validar transações em determinadas blockchains, gerando recompensas aos participantes.

Entretanto, segundo Horsley, o principal motivo para o sucesso do produto é o interesse dos investidores na própria Solana.

Na avaliação dele, compradores do ETF enxergam a blockchain como uma possível beneficiária do crescimento da tokenização de ativos, das stablecoins e de outras aplicações financeiras construídas diretamente em redes descentralizadas.

A diferença ajuda a explicar por que a chegada de uma criptomoeda ao mercado tradicional por meio de um ETF não garante automaticamente uma demanda relevante.

Embora a Dogecoin tenha uma comunidade conhecida e esteja entre as maiores memecoins do mercado, o desempenho do fundo sugere que sua popularidade entre investidores de criptomoedas não se traduziu em interesse equivalente entre compradores de ETFs.

Horsley afirmou que a função da Bitwise é continuar identificando oportunidades que façam sentido para os investidores e desenvolver produtos capazes de oferecer exposição a esses mercados.

Bitwise também aposta em inteligência artificial

Além de comentar a demanda pelos ETFs, Horsley destacou a inteligência artificial como uma das principais áreas de interesse da Bitwise.

Segundo o executivo, criptomoedas e IA estão relacionadas porque ambas representam uma transformação na maneira como serviços são executados.

Enquanto a tecnologia blockchain permite transformar serviços financeiros em programas de computador, a inteligência artificial possibilita automatizar tarefas tradicionalmente realizadas por pessoas.

Na visão de Horsley, sistemas de IA cada vez mais autônomos poderão utilizar contratos inteligentes para realizar operações financeiras sem depender da infraestrutura bancária convencional.

“Quando a IA avançar, seu sistema financeiro preferido não será um caixa de banco atrás de um vidro, mas um contrato inteligente disponível em milissegundos”, afirmou.

A gestora já começou a ampliar sua atuação nessa área. Na semana passada, lançou o Bitwise NEAR ETF (NRR), primeiro fundo à vista nos Estados Unidos dedicado à criptomoeda NEAR Protocol.

A rede possui funcionalidades voltadas à interoperabilidade entre blockchains, incluindo o NEAR Intents, que permite a usuários e agentes de inteligência artificial realizar trocas e transferências entre diferentes redes sem precisar operar diretamente pontes entre blockchains.

Horsley afirmou que o crescimento da utilização de agentes de IA em serviços financeiros pode beneficiar esse tipo de infraestrutura.

A Bitwise também apresentou pedidos para lançar dois ETFs relacionados à inteligência artificial: o Bitwise AI Cyber Defense ETF, em agosto, e o Bitwise AI Bond ETF, em setembro.

Ao comentar as perspectivas de longo prazo do mercado, Horsley afirmou que prefere produtos diversificados, justamente porque é difícil prever quais criptomoedas ou tecnologias terão maior relevância nos próximos anos.

Como exemplos, citou o Bitwise 10 Crypto Index ETF (BITW), que reúne diferentes criptomoedas, e o Bitwise Crypto Industry Innovators ETF (BITQ), voltado a empresas ligadas à indústria de ativos digitais.

Segundo ele, esses fundos permitem que investidores acompanhem a transformação do setor sem precisar apostar exclusivamente em uma criptomoeda ou tecnologia específica.

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