Trabalho remoto é uma realidade, mas requer gestão equilibrada

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O trabalho remoto passou por crescimento avassalador na pandemia de Covid-19. A necessidade de isolamento levou muita gente a trabalhar em casa a partir de 2020. Nem todos voltaram para o escritório, e hoje parcela expressiva continua em home office ou num modelo híbrido, propiciado pelos avanços nas comunicações e na tecnologia digital. O Brasil passa por fase de acomodação e refluxo, com um movimento de volta a empresas e escritórios. Mas o trabalho remoto se consolidou num patamar superior ao de antes da pandemia.

No ano passado, 6,5 milhões de brasileiros trabalhavam em casa, mais que o dobro de 2015, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE. O contingente representava 7,9% dos ocupados, o dobro dos 3,6% de 2012, mas aquém dos 8,4% de 2022, logo depois da pandemia. Naquele ano, 887 mil trabalhavam em home office em São Paulo. Em 2025, eram 543 mil. Mesmo empresas que se distinguiram pelo modelo remoto, caso do Nubank, recuaram e passaram a priorizar o trabalho presencial. Em proporção da população ativa, Porto Alegre tinha em 2025 18,7% trabalhando principalmente em casa, maior índice entre as capitais. Em seguida, vinham Curitiba, Belém, Fortaleza, Goiânia e João Pessoa. São Paulo, líder em números absolutos, aparecia na 18ª posição e o Rio na 12ª.

A volta aos escritórios tem mexido com o mercado imobiliário. Em São Paulo, o valor da locação subiu 16% no último ano, segundo levantamento da consultoria Binswanger Brazil. Os espaços vagos caíram de 21% há dois anos para 13%. Os principais projetos de construção de escritórios corporativos em áreas nobres paulistanas estão praticamente vendidos.

O Brasil repete a tendência global no que diz respeito ao retorno aos escritórios e à adoção de modelos híbridos. Antes da pandemia, os americanos cumpriam apenas 5% do expediente em home office, de acordo com a revista britânica The Economist. No segundo semestre de 2020, eram 60%. Superada a pandemia, uma pesquisa constatou que a média dos empregados gostaria de trabalhar em suas residências metade do expediente.

Num levantamento de 40 países pesquisados em abril do ano passado, os canadenses ficaram em 1º lugar na adoção do home office, com quase dois dias por semana de expediente completo, à frente dos britânicos e americanos, estes com pouco mais de um dia e meio. Os brasileiros apareceram na 7ª posição, com pouco menos de um dia e meio. Chineses e sul-coreanos fecharam a lista com menos de um dia. O resultado médio global foi entre um dia e um dia e meio de trabalho em casa.

Não resta dúvida de que o trabalho em casa é uma realidade mundial que veio para ficar. Mas nem toda atividade se adéqua a ele, e é preciso uma gestão eficaz da mão de obra para que, nos casos pertinentes, ele signifique mais qualidade e mais produtividade, e não apenas mais conforto para o funcionário. É essencial que todos os lados se beneficiem. Como sempre, a melhor solução está no equilíbrio.

[Fonte Original]

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