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domingo, maio 3, 2026

“Filosófico, existencial, metafísico”: o horror de Walter Hugo Khouri – Revista Cult

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“Filosófico, existencial e metafísico”: assim Donny Correia descreveu o horror na obra do diretor paulistano Walter Hugo Khouri na noite do último dia 31 de março, quando o crítico esteve ao lado da atriz Selma Egrei, do cineasta Joel Pizzini e da pesquisadora Laura Cánepa para o lançamento de seu livro Anatomia do Horror em Walter Hugo Khouri (Mínimo Múltiplo). A obra dá continuidade a seus estudos sobre o cineasta, que também resultaram em O cinema de Walter Hugo Khouri, publicado no ano passado pela Cosac.

A breve incursão de Khouri pelo cinema de gênero se dá primariamente em duas de suas obras: As filhas do fogo, de 1978, e O anjo da noite, de 1974, que foi exibido em uma cópia em 35mm pela Cinemateca na ocasião do lançamento.

Em entrevista à Revista Cult, Correia celebrou a exibição como uma oportunidade de apresentar ao público a obra do diretor, que circula de forma marginal pelas redes em cópias de baixa qualidade, copiadas de fitas VHS.

“O que falta é dinheiro”, explica o crítico. “Se houvesse um apoio financeiro na mesma proporção do que receberam, por exemplo, as restaurações de Deus e o diabo na terra do sol ou São Paulo sociedade anônima, por meio de empresas ou editais, a família de Khouri — que detém os direitos de boa parte de seus filmes — certamente teria interesse em restaurar sua obra.”

Analisando de forma mais ampla a filmografia do diretor, Correia nota que os filmes de horror do diretor são justamente aqueles que abandonam a cidade de São Paulo como pano de fundo e os temas eminentemente paulistanos que marcam quase toda a sua filmografia.

Ele argumenta: “O horror em Walter Hugo Khoury não está meramente a serviço do entretenimento daqueles que gostam do estilo. É um horror utilitário – filosófico, na verdade. As manifestações eventualmente sobrenaturais que sua obra indica são reflexos do próprio ímpeto dos personagens e do próprio choque entre eles. É, de fato, uma abordagem psicológica e metafísica.”

Selma Egrei, que protagoniza O anjo da noite, exalta a originalidade do diretor – que trabalhava frequentemente com equipes reduzidas e com pouco senão nenhum roteiro prévio – e nota que o horror em Khouri “não é o horror que conhecemos hoje, no cinema e no streaming, é um horror silencioso, lento, que retrata uma outra época e uma outra maneira de fazer cinema”.



[Fonte Original]

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