O Ibovespa encerra em forte alta nesta quinta-feira, impulsionado por Vale, em movimento de recuperação da mineradora, que ontem viu suas ações cederem após o balanço trimestral. De olho nos movimentos geopolíticos e locais, o alívio nos preços do petróleo, o corte da Selic pelo Banco Central e o movimento de rotação global de empresas de “growth” (crescimento) para “value” (valor) contribuíram para o desempenho positivo da bolsa brasileira. Assim, o índice subiu 1,39%, aos 187.318 pontos, após oscilar entre os 184.759 pontos e os 187.921 pontos.
Gestores ouvidos pelo Valor apontaram ainda que a derrota do governo Lula após o Senado barrar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ajudou a alimentar o apetite por risco. Para eles, o episódio pode ser interpretado como indício de uma dinâmica eleitoral mais favorável ao mercado nas eleições de outubro. Nesse contexto, o volume financeiro do índice somou R$ 21,5 bilhões, enquanto a B3 movimentou R$ 28,9 bilhões.
Em meio à volatilidade do preço das commodities e a saída de recursos das ações brasileiras para papéis de tecnologia no mercado internacional, o Ibovespa acumulou queda de 1,80% na semana e perda de 0,08% no mês.
Apesar da ausência de sinais de um acordo mais amplo entre Estados Unidos e Irã, a queda dos preços do petróleo Brent somou-se a dados de inflação americanos comportados, e deu suporte às bolsas em Nova York. Assim, Dow Jones subiu 1,62%, S&P 500 ganhou 1,02% e Nasdaq avançou 0,89%.
As ações ordinárias da Vale subiram 2,19%, a R$ 81,18, em meio à alta do minério de ferro em Dalian, na China, após terem encerrado em queda de 5,87% na véspera.
O analista de mineração da Genial Investimentos Igor Guedes explica que, geralmente, informações inesperadas acabam forçando uma reação maior dos investidores, como foi o caso de ontem.
Para além de um resultado abaixo do consenso, o mercado reagiu a cenário futuro negativo, com a companhia indicando que chegará até o fim do ano na banda de cima do “guidance” (projeção) de custos, quando a maioria dos investidores estava modelando algo próximo ao meio do intervalo”, diz Guedes.
Um ponto de atenção é que as projeções da companhia também consideravam o preço do petróleo Brent a US$ 90 por barril, abaixo do patamar atual, o que “intensificou ainda mais o medo do mercado de uma possível revisão para além da banda superior do ‘guidance’ se a guerra no Irã continuar e o petróleo ainda ficar pressionado”.
As ações de bancos subiram em bloco nesta quinta-feira: Itaú PN avançou 0,75%, BB ON ganhou 2,30%, Bradesco PN subiu 1,10% e as units do BTG Pactual tiveram alta de 1,31%.
Entre as maiores valorizações, o papel ON da CPFL Energia subiu 4,38%, após companhia anunciar o pagamento de quase R$ 4,3 bilhões em dividendos. A Axia Energia PNC avançou 4,07%, após a notícia de que a empresa planeja investir até R$ 14 bilhões este ano, número que, se confirmado, vai representar uma vez e meia o desembolso feito pela empresa em 2022, quando ainda era estatal.
Na ponta negativa, Suzano ON perdeu 2,18%, após resultados considerados neutros no primeiro trimestre, na visão do Citi. Para o banco, os números refletiram um cenário em que as pressões contrárias macroeconômicas ofuscaram a boa execução operacional da companhia.