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quarta-feira, maio 27, 2026

Correção Recente Não Freia Corrida Pelo Ouro e Ourominas Fatura R$ 1,5 Bilhão

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Mesmo após uma recente correção nos preços, o ouro segue acumulando valorização. Nos últimos 12 meses, o ouro acumulou alta próxima de 37% no mercado internacional, saindo da faixa de US$ 3,2 mil (R$ 16 mil) para níveis próximos de US$ 4,5 mil (R$ 22,5 mil) por onça-troy. A escalada foi impulsionada pela busca global por proteção, compras de bancos centrais e aumento das incertezas geopolíticas.

No Brasil, a demanda por ouro físico e digital cresceu. Segundo dados compilados a partir do World Gold Council, as reservas brasileiras em ouro chegaram a 172,44 toneladas no primeiro trimestre de 2026, maior nível da série histórica.

A Ourominas, maior corretora de ouro da América Latina, acompanha esse aumento de demanda nas operações com o metal. Nos últimos 12 meses a empresa faturou R$ 1,5 bilhão. Na avaliação de Olivia Goldstein, CFO da Ourominas, o ouro deixou de ser visto apenas como reserva tradicional e passou a ocupar espaço mais estratégico dentro das carteiras.

“O crescimento mostra que o ouro deixou de ser visto apenas como uma reserva tradicional e passou a fazer parte de uma estratégia mais ampla de proteção e diversificação. Em um ambiente de volatilidade, o investidor busca ativos que tenham lastro, liquidez e capacidade de atravessar ciclos econômicos diferentes”, afirma.

Para Juarez Filho, fundador e presidente da companhia, a busca pelo metal ganhou força também pelo aspecto de preservação de patrimônio entre gerações. “O ouro é um ativo que conversa com segurança, sucessão e proteção familiar. Em um cenário de juros altos, inflação resistente e instabilidade geopolítica, esse papel fica ainda mais evidente”, afirma. “Na prática, você não compra ouro apenas para si. Você compra também para a próxima geração.”

Além do ouro, a empresa também registrou crescimento nas operações de câmbio, impulsionadas pela volatilidade do dólar, viagens internacionais e demanda por remessas.

Relatório mostra o papel do ouro em meio à crise do petróleo

O comportamento mais recente do ouro no mercado internacional abriu uma nova leitura entre estrategistas globais. Mesmo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, o metal perdeu força em alguns momentos, um movimento considerado incomum para um ativo tradicionalmente associado à proteção. Após atingir máximas históricas acima de US$ 5,3 mil (R$ 26,5 mil) por onça no início de 2026, o ouro passou por uma correção recente de cerca de 16% a 20%, voltando para níveis próximos de US$ 4,5 mil (R$ 22,5 mil).Só em maio, o metal acumula queda ao redor de 3%, pressionado pela alta do dólar, pelos juros americanos e pela necessidade global de liquidez em moeda americana.

Uma análise de uma das maiores corretoras e plataformas independentes de investimentos dos Estados Unidos, a LPL Financial, aponta que o ouro passou a desempenhar um papel híbrido no sistema financeiro global: além de reserva de valor, virou também uma ferramenta de geração rápida de liquidez em dólar.

Segundo Kristian Kerr, chefe de estratégia macro da instituição, as restrições no Estreito de Ormuz reduziram receitas de petróleo e pressionaram a entrada de dólares em países do Golfo Pérsico. Nesse ambiente, governos passaram a vender ou trocar reservas em ouro para reforçar caixa e estabilizar mercados locais.

O relatório divulgado no começo de maio destaca que, desde 2019, o ouro passou a ser tratado como ativo de primeira linha nas regras globais de capital bancário de Basileia III, permitindo maior utilização do metal nos balanços de instituições financeiras.

“A leitura é que o ouro não deixou de cumprir seu papel de proteção, mas passou a ser usado temporariamente como fonte de financiamento em um momento de escassez global de dólares”, resume o relatório.

[Fonte Original]

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