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quarta-feira, maio 27, 2026

Luiz Henrique Matos: Ode aos áudios de zap — e o que aprendi com eles

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Mas, alguns meses antes do início da pandemia, contratamos um marceneiro para fazer móveis para nosso apartamento e sempre que eu lhe mandava mensagens de texto com instruções ou dúvidas, ele me respondia com áudios. Eu insistia em responder com texto para conseguir pontuar itens específicos nas imagens que anexava, mas ele devolvia com gravações de voz, mesmo que fosse para comentários curtos.

Certa manhã, ele esteve em casa para tirar medidas e revisar alguns pontos do projeto e foi então, observando como fazia anotações em cima da planta aberta sobre a mesa, que me dei conta: ele não sabia escrever direito.

Suas mensagens não eram fruto de preguiça ou uma forma de poupar o tempo dele ao custo do meu (motivo pelo qual ainda implico com amigos e familiares que insistem em me enviar seus podcasts), mas um jeito de conseguir se comunicar com clareza e velocidade.

Depois disso, contratamos um pintor e um entregador, uma funcionária que nos ajudou em casa por um tempo e a lógica se repetiu em diversas ocasiões, de tal forma que acabei aderindo ao formato quando me dava conta desse padrão.

Em 2024, Mark Zuckerberg disse que os brasileiros enviam quatro vezes mais mensagens de voz no WhatsApp do que usuários de qualquer outro país do mundo. Segundo uma pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box divulgada no mesmo ano, 98% dos telefones no Brasil têm o aplicativo instalado.

Muitas pessoas preferem enviar recados nesse formato porque talvez seja a forma mais eficiente e clara de se comunicar.



[Fonte Original]

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