Cinco endereços removeram 107 Bitcoin avaliados em US$ 8,2 milhões de circulação na segunda-feira (25), gerando intriga nas redes sociais devido à aparente falta de motivação por trás das transferências.
Como todas as transações ocorreram no mesmo instante, observadores especularam no X que a atividade estava ligada a um único indivíduo ou grupo, com os fundos enviados para 1111111111111111111114oLvT2 — um endereço de queima conhecido na rede do Bitcoin.
As transações chamaram a atenção, considerando que Bitcoin enviado para um endereço de queima é efetivamente destruído porque não pode mais ser recuperado. Até terça-feira, o endereço que recebeu os fundos queimados continha 807 Bitcoin, avaliados em aproximadamente US$ 61 milhões.
Adam Back, fundador e CEO da Blockstream, empresa de infraestrutura de Bitcoin, cogitou em uma publicação no X que as transações poderiam marcar uma “recompensa quântica acidental”, uma referência à crescente ameaça que os computadores quânticos representam para algumas carteiras de Bitcoin.
As carteiras que enviaram os fundos foram efetivamente esvaziadas. No total, as carteiras que queimaram os fundos gastaram cerca de US$ 5,56 em taxas para remover permanentemente as moedas de circulação. Os cinco endereços que moveram as moedas foram criados inicialmente em 2014.
Muito abaixo do seu pico de US$ 126.000 em outubro, o Bitcoin era negociado em torno de US$ 76.000 na terça-feira, de acordo com o CoinGecko. Isso significava que os fundos retirados de circulação na segunda-feira valiam aproximadamente US$ 13,4 milhões quando o ativo digital atingiu máximas históricas no ano passado.
A intriga ressaltou um dos elementos de design fundamentais do Bitcoin: uma vez que as transações são validadas, elas são adicionadas a um registro global que pode ser visualizado por qualquer pessoa com conexão à internet, mesmo que as partes permaneçam pseudônimas devido à natureza das chaves públicas.
Um observador levantou a hipótese em uma publicação no X de que as transações poderiam ter se originado de um chatbot de inteligência artificial com acesso a uma carteira de Bitcoin que deu errado, dizendo: “Você está absolutamente certo. Parece que eu realmente enviei os Bitcoins para o endereço de queima!”
Um desenvolvedor teorizou que o Bitcoin foi enviado para o endereço de queima para fornecer aos atacantes recompensa zero em caso de um potencial “ataque de chave inglesa” (wrench attack), ou um ataque físico ou ameaça contra alguém para coagi-lo a entregar seus ativos digitais.
Alternativamente, como as transações apresentavam parâmetros baseados em tempo, o desenvolvedor observou que elas podem ter se originado de um “dead man’s switch”, um mecanismo de segurança automatizado que transfere ou revela o acesso a criptomoedas se alguém não interagir com um sistema dentro de um prazo definido.
Outros teorizaram que as transações representaram um erro considerável, que acabou por aumentar a escassez do Bitcoin — embora por uma quantidade insignificante — porque os fundos são incapazes de ser possuídos por mais ninguém novamente sob as regras atuais da rede.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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